Envenenamento em pets: carvão ativado é aliado, mas não deve ser orientação veterinária

Substância é utilizada em emergências veterinárias para reduzir absorção de toxinas, mas especialistas alertam para riscos da automedicação

Casos de intoxicação em cães são mais comuns do que muitos tutores imaginam. Produtos de limpeza, medicamentos humanos e maquiagens, venenos e até alimentos como chocolate ou uvas podem causar quadros graves nos animais. Diante da suspeita de envenenamento, algumas pessoas recorrem ao carvão ativado, substância conhecida por ajudar a reduzir a absorção de toxinas no organismo.

Especialistas explicam, no entanto, que o produto não deve ser administrado em casa sem orientação veterinária, pois nem todo tipo de intoxicação permite esse tipo de intervenção.

“O carvão ativado pode ser utilizado em alguns casos de intoxicação, mas a indicação e a dose precisam ser definidas por um médico-veterinário”, diz a médica-veterinária Camila Domingues, gerente técnica da Petlove.

Segundo ela, nem toda intoxicação permite o uso de carvão ativado. “Dependendo do que foi ingerido, o procedimento pode não ter efeito ou até trazer riscos, por isso a avaliação veterinária é indispensável”.

Como o carvão ativado age no organismo do pet

O carvão ativado é uma forma de carvão tratada para se tornar altamente porosa, o que aumenta sua capacidade de reter substâncias químicas. Na medicina veterinária, ele pode ser utilizado para reduzir a absorção de toxinas no trato digestivo do animal. A substância funciona como um “filtro” e impede que parte das toxinas ingeridas seja absorvida pelo organismo.

De acordo com dados do Sistema de Informação Toxicológica citados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), mais de 15 mil casos de intoxicação alimentar em cães e gatos foram registrados no Brasil em 2023, o que reforça a importância do atendimento rápido nessas situações.

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Apesar de ser utilizado na medicina veterinária, o carvão ativado não é indicado para todos os tipos de intoxicação. O tratamento depende da substância ingerida, da quantidade e do tempo decorrido desde o contato com ela.

Em muitos casos, a eficácia do produto está diretamente ligada à rapidez do atendimento. Segundo veterinários citados em portais de notícia, o carvão ativado costuma apresentar melhores resultados quando administrado pouco tempo após a ingestão da toxina, geralmente dentro da primeira hora.

Há também situações em que o produto pode ser contraindicado, como quando o animal está inconsciente, apresenta convulsões ou tem risco de aspirar a substância para os pulmões.

Veterinários recomendam que qualquer suspeita de envenenamento seja tratada como emergência. Sintomas comuns incluem vômito, tremores, salivação excessiva, fraqueza ou convulsões.

A Itatiaia listou as orientações mais seguras para os tutores, confira estão:

  • levar o animal imediatamente ao médico-veterinário
  • não oferecer leite, chás ou medicamentos caseiros
  • evitar provocar vômito sem orientação profissional
  • informar ao veterinário qual substância pode ter sido ingerida.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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