“Quem não gosta de pizza, bom sujeito não é", brinca o gastrólogo Adriano Hirsch, que estuda a produção da iguaria. A frase resume bem o sentimento dos amantes do típico prato italiano, que ganhou uma data em sua homenagem: o Dia Mundial da Pizza, celebrado nesta quarta-feira, dia 10 de julho.
Em Minas Gerais, para além da rica culinária local, destaca-se o hábito de comer pizzas. O estado tem o segundo maior consumo de pizza do Brasil, com 8,62% do que é vendido em todo o território nacional, segundo dados da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra).
Só em Belo Horizonte, são 538 pizzarias espalhadas pela capital. De acordo com a Apubra, cada uma delas produz uma média de 43,33 pizzas por dia, o que faz com que BH faça diariamente 23.312 pizzas.
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“Eu acho que no Dia da Pizza o que a gente tem que entender e observar é o consumo da pizza como um hábito, uma cultura. A pizza na Itália não é só algo que a gente vai lá para comer, ela é quase uma entidade que eles tem. O respeito que eles tem pela pizza e pela cultura que está envolta nela é algo muito bacana. O mineiro tem casa vez mais buscado compreender essa cultura italiana, no sentido de comer uma pizza que seja mais fiel a origem da pizza italiana mesmo. O Dia da Pizza é um marco para a gente comemorar essa fusão de cultura”, afirma Hirsch.
O gastrólogo, que também dá aulas sobre a preparação do prato no Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), conta que a tendência de produção e consumo das pizzas mudou recentemente no estado, o que ele avalia como algo bom.
“O gosto das pessoas tem mudado muito rapidamente. A gente está saindo um pouco fora dessas pizzas tradicionais, de frango com catupiry, para partir para pizzas de pepperoni, pepperonis artesanais. A gente observa hoje as padarias de fermentação natural que já servem diferentes tipos de pizza e focaccia. Até algumas pizzarias tradicionais de Belo Horizonte já começaram a trabalhar com essas massas de fermentação natural, feitas com ingredientes mais selecionados. A gente sai um pouco daquele conceito de borda recheada, de pizza pesada e com bastante queijo, e vai para pizzas mais inovadoras e delicadas”, comenta.
Hirsch defende que a pizza, um sucesso de vendas no estado, seja vista também como um patrimônio mineiro.
“Por que não? Pensa que hoje a gente pode montar uma pizza com um queijo mineiro, que é premiado pelo mundo afora. Por que eu não posso fazer minha pizza com queijo Canastra e servir isso aqui? Por que eu não posso trabalhar com a carne de porco, que é um pouco mineira e a gente tem cultivo de criação padrão aqui? Então assim, é sensacional. Acho que a pizza tá no gosto do mineiro mesmo. Tá no coração do pessoal. É uma coisa que emplaca sempre muito bem em restaurante”, afirma.
“O conceito de pizza faz parte da comida mineira, assim como temos outras influências. A galera de Belo Horizonte que trabalha com pizza usa muito a criatividade para desenvolver pizzas diferentes. É um processo que me enche de orgulho. A pizza te dá uma flexibilidade de trabalho, não é uma coisa engessada. Você consegue construir uma pizza de acordo com aquilo que você gosta, que seu cliente gosta”, acrescenta.