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Milei chama Lula de ‘comunista’ e recusa encontro com o petista em caso de vitória na Argentina

Candidato à Casa Rosada, libertário tem tecido críticas ao sucessor de Bolsonaro, seu aliado

Candidato à presidência da Argentina, Milei é aliado de Bolsonaro

Candidato à presidência da Argentina, Milei é aliado de Bolsonaro

Alejandro Pagni/AFP

Javier Milei, candidato à presidência da Argentina, disse que não vai se encontrar com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso vença a corrida à Casa Rosada. Em entrevista, ele chamou o petista de “comunista”.

Ao jornalista Jaime Bayly, em conversa divulgada na quarta-feira (8), Milei disse que Lula é “corrupto”. “Por isso ele foi preso”, afirmou.

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Milei vai enfrentar o peronista Sergio Massa no segundo turno da disputa na Argentina. O pleito vai acontecer no próximo dia 19.

O libertário já havia chamado Lula de comunista logo após o convite feito à Argentina para integrar o Brics - bloco que reúne Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul, e recebeu recentemente adesões de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Argentina, Egito, Irã e Etiópia. À época, ele respondeu que não aceitaria a entrada, caso fosse eleito, e não se reuniria com comunistas de Brasil e China.

Milei diz que não deseja um rompimento das relações diplomáticas ou comerciais com o Brasil, mas defende que o Estado não deve ser o regulador deste fluxo. Sua política é de deixar empresários e produtores brasileiros e argentinos conduzirem as relações.

“Desde a minha posição como chefe de Estado, meus aliados são EUA, Israel e o mundo livre"" afirmou, a Bayly.

No domingo (6) em entrevista ao canal LN+, do jornal La Nación, Milei acusou Lula de interferir na campanha presidencial argentina.

“As pessoas (apoiadores) de Bolsonaro e alguns jornalistas do Brasil denunciaram que Lula está interferindo na campanha, financiando parte dela, e dentro desse pacote há um conjunto de consultores brasileiros que são os melhores especialistas em campanha negativa”, disse.

Embaixador rebate

O embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli, rejeitou as declarações de Milei.

“O fato de um candidato dizer que não vai ter relações com Lula não me parece ter qualquer mérito, ao contrário de Sergio Massa, que exerce a melhor diplomacia, que é comercial, que pode ser aprofundada a partir de dezembro, porque conheço as relações que ele tem, não só com o Brasil, mas com a China, a outra relação bilateral que Milei tem questionado, que são os dois parceiros mais importantes da Argentina.”

No dia 29 de agosto, jornais da Argentina trouxeram relatos da conversa ocorrida na véspera entre Lula e Massa, também ministro da Economia do país, no Palácio do Planalto. Candidato do peronismo à sucessão do presidente, Alberto Fernández, Massa esteve em Brasília, um dia antes, para tratar de um empréstimo de US$ 600 milhões.

O objetivo era financiar as exportações argentinas. Lula disse ao ministro que enviaria pessoas de sua equipe à Argentina, com o objetivo de ajudá-lo na campanha “para parar a direita”, de acordo com as publicações argentinas.

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