Se as eleições à presidência da República fossem hoje, em cenário que disputam Flávio Bolsonaro e Lula, qual seria a probabilidade de o governador Romeu Zema chegar ao segundo turno? Todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo de 2025 e algumas já nas primeiras semanas de 2026 apontam para a mesma estrutura de disputa. Duas candidaturas, em campos políticos diferentes, funcionam como se fossem dois sistemas solares. Ambas têm potencial, cada uma em seu campo, para atrair e convergir eleitores em número suficiente para empurrá-los ao segundo turno.
No campo de Lula, o presidente é o único nome colocado, portanto ele já converge no primeiro turno a maior parte do quinhão de eleitores que estará com ele em eventual segundo turno. No campo de Flávio Bolsonaro, há outras três candidaturas que funcionam como satélites: Ronaldo Caiado, em Goiás, Ratinho Junior, no Paraná e Romeu Zema, em Minas Gerais. Para esses três governadores presidenciáveis de oposição, qual é o grande desafio? Disputar entre si quem terá o melhor desempenho eleitoral no primeiro turno. O governador de oposição que se destacar no primeiro turno, ainda que perca, ganhará peso político nacional. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, lhe garantiria um ministério. Por outro lado, uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro, colocaria esse candidato de melhor desempenho em boa posição na fila para a sucessão de 2030. Portanto, se a campanha de Zema à Presidência da República deixar uma boa imagem, ele ganhará maior visibilidade nacional, e, a reboque, poderá ajudar o seu partido, o Novo a alcançar maior representação na Câmara dos Deputados.
Mas Romeu Zema também mantém a sua candidatura à Presidência da República viva, neste momento, por um outro motivo. O Estado de Minas Gerais é o segundo eleitorado nacional e historicamente as suas lideranças tiveram centralidade na política nacional. Ser governador de Minas é, em princípio, um ativo político eleitoral. A depender da qualidade da candidatura, esse ativo poderá crescer ou se esvaziar. Romeu Zema está em pré-campanha à presidência explícita desde o início de 2025. Formalizou o lançamento em agosto de 2026, em São Paulo. Embora tenha se afastado das funções como governador de Minas, a candidatura garantiu a Zema a atenção política nacional. Seguir como pré-candidato à Presidência da República, neste momento, assim como permanecer à frente do governo de Minas até o limite do prazo de desincompatibilização são duas variáveis que lhe conferem maior peso político.
Esse cálculo eleitoral, contudo, não significa que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab e mesmo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), não venham a articular uma eventual chapa de Flávio Bolsonaro com Zema de vice. Essa sempre poderá ser uma possibilidade, que dependerá muito do desempenho do governo Lula neste último ano de seu mandato. Entretanto, sob a perspectiva da família Bolsonaro é uma possibilidade de baixa chance de ocorrer. Apesar da pressão do Centrão, Bolsonaro se recusou a passar o bastão para Tarcísio de Freitas, mantendo o seu capital eleitoral e a centralidade política no comando de sua família. Para a composição da chapa, se olharmos para as eleições de 2018 e de 2022, Jair Bolsonaro indicou militares, que têm uma cultura de obediência à hierarquia. A tendência é de que em 2026, a chapa da família repita esse padrão. Flávio hoje não é o favorito na disputa. Mas será uma eleição dura, com resultado que poderá ser alterado por eventos aleatórios e externos. É esse contexto que explica, por que dificilmente, Zema seria o escolhido pela família para ser vice. Com a palavra, o ex-presidente da República Itamar Franco. Quando se deslocava no carro da vice-presidência para tomar posse naquele 15 de março de 1990, ocorreu-lhe uma frase que já integra o folclore político das eleições nos Estados Unidos: “O que separa um vice-presidente do presidente é uma batia de coração”. No literal: “A heartbeat away from Presidency”.