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Vietnã abre mercado para carne bovina brasileira após reuniões com Lula e ministro Fávaro

Medida vinha sendo tentada pelo Brasil há mais de 20 anos; anúncio representa mais um avanço ao setor

Lula com o Primeiro-Ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (28) a abertura do mercado do Vietnã à carne produzida no Brasil. O anúncio foi acompanhado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro e a comitiva brasileira durante visita ao país asiático.

A decisão veio após uma série de reuniões com os líderes dos quatro pilares do sistema político vietnamita: o presidente, Luong Cuong; o presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man; o secretário-geral do Partido Comunista, Tô Lâm, além do primeiro-ministro, Pham Minh Chính.

‘Estamos trabalhando intensamente na relação comercial dos produtos agropecuários para o Vietnã e a presença do presidente Lula foi fundamental para essa reabertura tão esperada que é o acesso da carne bovina brasileira aos consumidores vietnamitas’, explicou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Desde o início da gestão atual, foram abertos quatro novos mercados no Vietnã, além da facilitação do comércio de couro brasileiro no país. Em 2025, o Vietnã já figura como quarto maior destino das exportações dos produtos da agropecuária brasileira, respondendo por 3,2% do que foi comercializado até fevereiro, atrás apenas de China, União Europeia e Estados Unidos.

‘Depois de muitos anos de tentativas, o primeiro-ministro anunciou que finalmente vai comprar a carne brasileira para o mercado do Vietnã. É uma notícia extraordinária e acho que é muito importante para o Vietnã, e é muito importante para o Brasil’, disse Lula, em vídeo postado em seu perfil nas redes sociais, ressaltando que a medida vinha sendo tentada pelo Brasil há mais de 20 anos.

Atualmente, o país asiático importa cerca de 300 mil toneladas de carne bovina por ano e tem no Brasil seu principal parceiro comercial na América Latina, representando uma grande oportunidade para os produtores brasileiros. Fávaro pondera que o consumo vietnamita privilegia cortes que são menos tradicionais para os brasileiros, o que pode aumentar, também, a competitividade da carne bovina no mercado interno.

Café: parceria estratégica

Outro assunto destacado pelo presidente no fortalecimento das relações entre Brasil e Vietnã foi a inclusão de uma parceria estratégica voltada para o setor do café. Os dois países, que são os maiores produtores mundiais do grão, se comprometeram a intensificar pesquisas conjuntas para desenvolver variedades mais resistentes aos impactos das mudanças climáticas.

‘Vietnã e Brasil são os dois maiores produtores mundiais de café e ambos tivemos safras recentes afetadas pela mudança do clima. Estamos determinados a ampliar nosso intercâmbio técnico para fortalecer a resiliência da cultura do café', disse Lula.

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Atos bilaterais no Vietnã

A visita do Brasil ao Vietnã também contou com a cerimônia de assinatura de atos bilaterais no Vietnã, com a formalização do Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica. Além desse documento, também foram assinados dois acordos e dois memorandos de entendimento, ampliando a cooperação bilateral em diversas áreas.

“Adotamos um plano de ação abrangente para o período 2025-2030, que nos ajudará a avançar em diversas áreas”, frisou Lula.

O Plano de Ação reúne prioridades do relacionamento bilateral em assuntos como defesa, economia, comércio e investimentos; agricultura e segurança alimentar e nutricional; ciência, tecnologia e inovação; meio ambiente e sustentabilidade; transição energética e cooperação sociocultural e assuntos consulares. A Parceria Estratégica pretende aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica, intensificar o fluxo de comércio e os investimentos, fortalecer a coordenação em temas da agenda multilateral e impulsionar novas iniciativas de cooperação.

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde