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Aumento nos casos de leishmaniose em BH: veja os riscos e como prevenir a doença em cães e humanos

Especialistas explicam fatores que podem ter contribuído para o aumento de casos da doença

Unhas grandes, perda de pelo e feridas são sintomas comuns na leishmaniose canina

Conforme dados do Controle da Leishmaniose Visceral Canina da Prefeitura de BH, entre 2021 e 2023, houve um aumento de 53,7% no número de cães soropositivos para a doença. Cenário que gera preocupação tanto para tutores de cães, quanto para a população em geral, uma vez que a doença também pode ser manifestada por humanos.

O Ministério da Saúde explica que a leishmaniose é uma zoonose transmitida pela picada de fêmeas do mosquito-palha portadoras do protozoário Leishmania chagasi. A transmissão acontece a partir de animais infectados com o protozoário que quando são picados pelo mosquito-palha, infectam o vetor que, quando pica outros animais, transmite a doença para cães e humanos saudáveis.

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Leishmaniose em Humanos

À Itatiaia, o Professor do Departamento de Parasitologia da UFMG e Presidente da Sociedade Brasileira de Parasitologia, Ricardo Toshio Fujiwara, e a bióloga doutora em parasitologia e coordenadora do CTvacinas da UFMG, Ana Paula Fernandes, explicaram que o aumento de casos de leishmaniose em cães na capital mineira, pode ser, sim, motivo de preocupação sobre o aumento de casos da doença em humanos.

Ambos afirmaram que, o aumento de animais soropositivos para a doença significa que há um aumento da circulação do parasita, o que pode, no futuro, ocasionar em um crescimento no número de humanos infectados.

Sintomas da Leishmaniose

Entre os sintomas da leishmaniose em humanos, o parasitologista destaca:

  • Febre recorrente intensa e demorada
  • Queda na resposta imunológica
  • Perda de peso
  • Aumento do fígado e do baço
  • Dor abdominal

Fujiwara aponta que diferentemente dos sintomas em cães, a leishmaniose em humanos não provoca queda de pelos ou machucados pelo corpo.

Leish-Tec

O médico pontua que o crescimento no número de casos já era esperado por alguns parasitologistas que suspeitam que interrupção da produção e da distribuição da vacina Leish-Tec, aplicada em cães, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) pode ter sido um agravante. O uso do imunizante foi suspenso pelo órgão em maio deste ano.

Já para Fernandes, apesar da não vacinação dos animais ser cogitada como um dos fatores que contribuíram para o aumento de casos de leishmaniose, ainda faltam estudos científicos que comprovem essa hipótese. “O Mapa fez uma inspeção na produção da Leish-Tec e avaliou que a composição da vacina produzida pelo fabricante não apresentava a composição que é preconizada. Esse aumento, é uma coincidência que não está sendo monitorada no ponto de vista científico, o que não descarta outras possibilidades que justifiquem esse aumento, por exemplo, o aumento da proliferação do vetor e a alteração do comportamento do vetor da leishmaniose devido às alterações climáticas”, pontua a doutora.

Prevenção

Para prevenir a ocorrência da doença o Ministério da Saúde aconselha:

  • Limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem).
  • Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos.
  • Limpeza dos abrigos de animais domésticos, além da manutenção de animais domésticos distantes do domicílio, especialmente durante a noite, a fim de reduzir a atração dos flebotomíneos para dentro do domicílio.
  • Uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). No entanto, a indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de transmissão intensa, moderada ou em surto de leishmaniose visceral.

Leishmaniose em Cães

O veterinário Luiz Fernando Lucas Ferreira, explicou que o aumento de casos da doença em cães em Belo Horizonte é um fator preocupante para os tutores desses animais. Isso, porque, o aumento da incidência de cães soropositivos da doença significa que o mosquito-palha terá mais chances picar animais infectados e, em seguida, picar outros animais saudáveis.

Por isso, ele aconselha que os tutores desses animais invistam em prevenir que cães sejam picados pelo mosquito, utilizando coleiras e sprays repelentes. Ferreira pontua que os donos de cachorros devem fazer exames nos pets para detecção de leishmaniose uma vez ao ano.

Sintomas da leishmaniose em cachorros

  • Emagrecimento e apatia
  • Queda de pelo
  • Descamação e feridas na pele
  • Febre irregular
  • Conjuntivite
  • Crescimento exagerado das unhas
  • Diarreia, parestesia de membros posteriores
  • Hepatoesplenomegalia

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Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento