O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil AL), criticou a exclusão de instituições financeiras da linha central de investigação e afirmou que houve blindagem ao PicPay durante a análise dos contratos e produtos operados no âmbito do INSS.
Segundo o parlamentar, o produto conhecido como Vale Mais foi operado exclusivamente por uma instituição financeira: o PicPay. Gaspar questionou a decisão do INSS de rescindir o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a empresa e afirmou que a justificativa apresentada não afasta a necessidade de investigação: “Esse produto só foi operado por uma instituição. O nome dela é PicPay”, afirmou o relator durante a sessão da CPMI.
De acordo com Gaspar, o ACT do PicPay foi rescindido sob a alegação de que o acordo tratava apenas da operacionalização do Vale Mais, sem envolver crédito consignado. Para o relator, essa explicação não elimina os indícios de irregularidades.
Acusação de blindagem e ampliação de margem
O deputado afirmou que o PicPay recebeu o produto “sob medida” e destacou que a margem operacional teria sido ampliada de 150 para 450, o que, segundo ele, configura um escândalo que precisa ser apurado: “Não vamos fazer investigação pela metade. Sistema financeiro não pode ter padrinho político dentro desta Casa. Isso é uma vergonha”, declarou.
Diante das críticas, Gaspar anunciou que vai reapresentar instituições financeiras para serem investigadas pela CPMI. Entre os nomes citados estão PicPay, C6, Santander e Crefisa. O relator afirmou que sua posição não se baseia em opinião pessoal, mas em atos administrativos do próprio INSS, que, segundo ele, indicam problemas na operação dos produtos financeiros oferecidos a aposentados e pensionistas.
“Quem está dizendo isso não sou eu. São as ações do próprio INSS”, afirmou.