Quem é o veterinário preso no Paraguai por envolvimento nos ataques de 8/1 em Brasília

Brasileiro foi expulso do Paraguai e entregue à Polícia Federal após mandado do Supremo Tribunal Federal; em 2025, ele foi condenado a 14 anos de prisão

Prisão do brasileiro ocorreu na noite da última terça-feira, no Paraguai

O veterinário João Paulo Silva Matos, de 36 anos, foi entregue à Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR) na noite de terça-feira (3), após ser expulso do Paraguai. Ele tinha mandado de prisão em aberto expedido pelo Supremo Tribunal Federal e era um dos foragidos que participaram os ataques às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Em janeiro do ano passado, ele foi condenado a 14 anos de prisão.

A entrega ocorreu na Ponte Internacional da Amizade, na fronteira entre os dois países, segundo a Polícia Federal brasileira. Segundo autoridades paraguaias, Matos foi localizado na região de Saltos del Guairá e detido após checagem de antecedentes junto à PF brasileira e o compartilhamento de informações do foragido entre os dois países.

Incitador de ataques e revoltado

De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, João aparece em vídeos gravados por ele próprio durante a invasão à Praça dos Três Poderes. Em uma gravação, do lado de fora de um dos prédios, ele chega a incentivar o confronto dos invasores com os policiais.

“Cês vão vir, seus porra? Vai ou não vai? Os policial que tá tentando contra o povo tá levando o pior. Já tem viatura voltando pra trás tudo fudida. O papo é reto. Bora, Bora! Vem aqui Alexandre de Moraes, seu bosta!”, diz o veterinário no vídeo

Em outra gravação, já dentro do Palácio do Planalto, ele registra a própria presença e exalta a ocupação. As imagens teriam sido publicadas por ele mesmo em sua rede social.

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Em depoimento, Matos afirmou que ficou acampado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, entre os dias 7 e 9 de janeiro de 2023, e confirmou que entrou em um dos prédios invadidos no dia 8, embora diga não se lembrar qual. Também reconheceu ser o autor dos vídeos analisados pela investigação.

A apuração, conduzida pela PF, aponta ainda mensagens enviadas após os ataques. Em conversas, ele relatou temor de prisão e confirmou que esteve na capital no dia da invasão. Em um grupo de WhatsApp da família, escreveu:

“É que nem eu falo, irmão. O povo tem que ter sangue nos olhos! Tem que ter mais iniciativa! Nós fomos lá...tava lotado, Brasília? Tava lotado. Mas tinha três milhões, cadê o resto que votou no Bolsonaro? Cadê o resto que fala que é patriota e que tá descontente? Cadê? Você entendeu? O povo revoltar...eu vou de novo, fi!! Eu vou de novo! Mas nós vamos agora pra nós resolver essa parada aí! Nós vamo tudo armado, nós vamos acabar com tudo! Nós vamos, eu vou de novo! Não tem problema nenhum! Mas o povão é tudo filha da puta, rapaz! Tudo morno!”

Após a entrega à PF, Matos ficou preso em Foz do Iguaçu e aguarda audiência de custódia. O STF decidirá se ele permanecerá no Paraná ou será transferido para Brasília, onde tramitam os processos sobre os ataques.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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