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Propag: ALMG pode retomar discussões nesta semana com privatização da Copasa na mira

Decreto do governo federal com flexibilização de prazos suspendeu temporariamente as discussões sobre renegociação das dívidas

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Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) • Guilherme Bergamini (ALMG) | Divulgação

As discussões sobre o Propag, o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas Estaduais com a União, podem ser retomadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) após o período de análise do decreto federal assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento prorrogou prazos e flexibilizou regras do programa, que renegocia a dívida mineira, atualmente em cerca de R$ 170 bilhões.

Uma reunião de líderes está prevista para o começo desta semana e pode definir os rumos de projetos de lei sobre o tema que tramitam na Casa.

A estratégia da oposição também se concentra na Codemig, estatal avaliada como o ativo mais valioso de Minas. Parlamentares apontam que o sigilo imposto a 13 documentos da empresa, divulgado no mesmo dia do decreto federal, pode estar relacionado à proteção de informações estratégicas, mas consideram que os dados poderiam esclarecer o real valor da estatal e enfraquecer o argumento de que novas privatizações são indispensáveis.

Do lado do governo, o governador Romeu Zema (Novo) mantém a prioridade na venda da Copasa ainda neste ano, independentemente da ampliação dos prazos do Propag. A expectativa é de que os recursos arrecadados com a privatização contribuam para atender às exigências do programa, incluindo investimentos obrigatórios em educação e infraestrutura, equivalentes a 1% do estoque da dívida por ano.

O calendário eleitoral de 2026 também é levado em conta na estratégia do Executivo, que quer concluir a venda antes da intensificação do debate político no próximo ciclo eleitoral. Enquanto isso, a PEC 24 segue pronta para votação em primeiro turno na ALMG, e deputados da oposição concentram esforços em demonstrar que a federalização da Codemig poderia atender aos objetivos fiscais do Propag, sem a necessidade de recorrer à privatização da Copasa.

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Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.