Prefeito de BH veta projeto que permitia reutilização de materiais didáticos

Projeto aprovado na Câmara Municipal em dezembro foi integralmente vetado por Juliano Lopes, prefeito em exercício de Belo Horizonte

Reutilização de livros didáticos foi vetada pela Prefeitura de BH

O prefeito em exercício de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos) vetou integralmente um projeto de lei (PL) que propunha a permissão de reaproveitamento de materiais didáticos de anos anteriores nas escolas da capital mineira. O texto foi aprovado em dezembro do ano passado por 26 votos a 7 sob a argumentação de que a medida traria economia para os pais e evitaria o descarte desnecessário de itens escolares.

O PL 67/2025 foi apresentado pelo vereador Irlan Melo (Republicanos) e tinha como objetivo possibilitar o uso de materiais didáticos de anos anteriores nas escolas. Segundo o parlamentar, a ideia era contribuir com a sustentabilidade ambiental e combater o que ele considera um monopólio no fornecimento dos itens.

O texto trazia ainda a proibição da prática de venda conjunta de livros físicos e plataformas digitais; a obrigatoriedade de uma periodicidade mínima de três anos para revisões completas ou novas edições de materiais físicos; e a determinação de que as escolas informassem a lista de materiais com pelo menos 90 dias de antecedência ao ano letivo.

Como justificativa do veto, Juliano Lopes citou pareceres da Procuradoria-Geral do Município que apontaram a inconstitucionalidade do projeto e a contrariedade ao interesse público.

Segundo a justificativa do prefeito em exercício, a lei não teria aplicabilidade prática nas escolas públicas municipais, uma vez que estas já recebem materiais didáticos de forma gratuita e regular por meio do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), gerido pelo Governo Federal.

Em relação às instituições privadas, o veto destacou que o Município não possui competência legal para regular o funcionamento pedagógico e comercial dessas escolas, tarefa que cabe ao Estado e à União, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

O veto agora será analisado pela Câmara Municipal, que pode derrubar a decisão do Executivo. Para reverter a negativa da prefeitura é necessária maioria simples, ou seja, 21 dos 41 vereadores. Juliano Lopes, que é o presidente da Casa deverá pautar a discussão da própria decisão quando o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) retornar ao cargo em fevereiro, após férias.

À Itatiaia, Irlan Melo disse que já começa a trabalhar hoje pela derrubada do veto e a consequente sanção de seu projeto. O vereador argumentou que o texto foi aprovado na Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara de BH e que a proposta foi vetada por influência de editoras e escolas.

“O PL não é inconstitucional e foi validado pela CLJ e tem estudo da CMBH que garante sua constitucionalidade. Infelizmente o veto foi fruto do grande lobby que as editoras e colégios realizaram no Legislativo e agora no executivo. [...] Essa lei seria uma grande vitória para pais e responsáveis que estão nas mãos de plataformas gananciosas que só visam o lucro”, afirmou.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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