'Peço desculpas ao povo brasileiro', diz Cármen Lúcia sobre crise no STF
Carmén Lúcia acompanhou o ministro Edson Fachin e também os magistrados André Mendonça e Luiz Fux, que votaram contra a junção das petições que envolvem Moraes e o próprio Mendonça

A ministra Cármen Lúcia afirmou estar em estado de "profunda consternação e tristeza" durante a sessão desta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a suposta relação de Alexandre de Moraes, magistrado da Corte, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraudes financeiras.
Durante o voto à questão de ordem, solicitada pelo ministro Gilmar Mendes, a decana da Primeira Turma do STF disse que o Judiciário existe para "tranquilizar o povo", mas que o Supremo estaria "gerando intranquilidade". "O povo brasileiro deveria estar preocupado, ocupado, focado na eleição geral, em qual é o seu destino, o que eles querem, mas o único assunto que eu via, os lugares onde eu entrava, seja uma farmácia, uma padaria ou nos telejornais, o assunto era sempre o que estava acontecendo aqui [no Supremo] e não era um quadro bonito", disse Cármen Lúcia.
A ministra, em seguida, pediu "desculpas ao povo brasileiro" que esperou dela uma "postura diferente". "Acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era de tentar resolver as questões e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais", afirmou.
Carmén Lúcia acompanhou o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, e também os magistrados André Mendonça e Luiz Fux, que votaram contra a junção das petições que envolvem Moraes e o próprio Mendonça. Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Moraes defenderam que a tramitação acontecesse de forma conjunta.
Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de participar da votação.
Escalada da crise no STF
A crise no Supremo foi intensificada após Mendonça levantar sigilo de relatórios da PF sobre investigações sobre o Master.
Um dos documentos indicou uma troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, com indicativo de que os dois tiveram encontros presencialmente, além de um contrato de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
A divulgação dos documentos provocou um confronto direto entre Mendonça e Moraes, que trocaram acusações. Moraes acusou o colega de fazer uma liberação seletiva dos autos, omitindo parte dos arquivos. O relator do caso negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.
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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



