Diretoria do sindicato de auditores fiscais de Minas apresenta renúncia coletiva
Comando do Sindifisco cita crise interna e defasagem salarial em comunicado que prevê nova eleição para a direção do sindicato em três meses

A diretoria do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco) formalizou, nesta segunda-feira (14), uma renúncia coletiva dos cargos após dez meses no comando da entidade. Em nota divulgada internamente e obtida pela Itatiaia, o comando sindical citou um contexto de defasagem salarial das carreiras na Secretaria de Estado de Fazenda e afirma ter sido alvo de ataques internos por servidores da pasta.
Na nota em que a direção anuncia a renúncia foi anunciado que um comando provisório ficará à frente do sindicato por 90 dias, e, neste período, deverá organizar o processo de eleição da nova diretoria. O atual grupo ficou à frente do Sindifisco por menos de um ano, tendo tomado posse em dezembro do ano passado.
“Ocorre que a confiança, respeito, democracia participativa e espírito de equipe, bem como a atuação sem exclusivismos, divisões ou competições internas, que defendemos e que certamente orientaram o voto dos que confiaram seu voto a nós, perderam força e chegaram ao extremo de representantes sindicais expressarem que os colegas de suas unidades teriam perdido a confiança na direção sindical e que estaríamos contra a categoria. Temos consciência de nossa luta diária, respeitamos os que têm uma acusação para chamar de sua, e não iremos reagir ou agir diferentemente do que defendemos. Passamos a ser atacados e nominados como fracos, covardes, traidores, incompetentes e outros adjetivos que preferimos nem escrever. Chegou-se ao extremo de se perder o respeito, com ataques pessoais cada vez mais frequentes e agressivos à diretoria sindical, algo que não desejamos a nenhum colega”, diz trecho da nota de renúncia.
Renunciaram ao cargo os integrantes da atual diretoria: o presidente Marco Tùlio da Silva; o vice-presidente Lucas Rodrigues Espeschit; o diretor de assuntos jurídicos, Tadeu Cancio Siqueira; o diretor-tesoureiro Hugo Souza Sena Filho; o diretor-administrativo Airton Mesquita Carvalho; o diretor de formação sindical e relações intersindicais Pedro Muglia; e a diretora de aposentados e pensionistas Rose Laura Lopes Pinto.
Campanha salarial
Além do clima interno, a nota de renúncia cita o momento de campanha salarial dos auditores fiscais como um dos agravantes da crise. O Sindifisco citou os impasses relativos ao Projeto de Lei (PL) 5.234/2026, enviado pelo Governo de Minas à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para regulamentar as gratificações de estímulo à produção individual (GEPI) e de desempenho individual (GDI) para os auditores.
O projeto está travado há três meses na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia. A medida transforma em lei dispositivos que majoram em até quatro vezes o vencimento da categoria, que integra um dos recortes mais bem pagos do funcionalismo público do estado.
O texto teve uma tramitação atribulada na Assembleia diante das pedidas de outras categorias para serem incluídos na proposta. Além disso, com a chegada do período eleitoral, a discussão ficou paralisada devido à impossibilidade legal de majorar vencimentos de servidores e também pelo funcionamento reduzido da Casa diante das campanhas em que os deputados embarcaram.
Citando as dificuldades para aprovar a regulamentação das gratificações, a nota de renúncia da diretoria do Sindifisco trata também sobre a defasagem salarial dos auditores em Minas em comparação a outros estados, demanda que motivou, inclusive, que a categoria deflagrasse uma greve no fim do ano passado.
“As questões conjunturais relacionadas ao contexto político e a problemas estruturais de longa data, próprios de uma carreira cuja remuneração é a pior entre os Fiscos do país, se sobrepuseram a outras pautas fundamentais para a categoria. Demos prioridade às questões urgentes e, ainda que tenhamos avançado no diálogo com o governo, esse diálogo não se efetivou em abertura de negociação por parte do governo”, diz trecho do documento disparado internamente.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



