Nunes Marques se declara impedido de julgar caso Moraes e Vorcaro
Magistrado afirmou que, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não se sente confortável de participar do julgamento

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta terça-feira (15) que está impedido de julgar o relatório da Polícia Federal (PF) que revelou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Nunes Marques afirmou que, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se sente confortável para participar do julgamento. Em sua fala, o magistrado negou que tenha relação com Daniel Vorcaro, ou que seu filho, Kevin Marques, tenha prestado serviços para o Master.
Pela manhã desta terça-feira, foi publicado pela Folha de São Paulo, que Kevin Marques teria recebido pagamentos de R$ 500 mil do empresário por meio da empresa Consult Inteligência Tributária. "Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco", disse.
"Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas. Mas nós sabemos que os impedimentos e as suspeições não decorrem tão somente de culpabilidade", emendou Kassio Nunes Marques.
Segundo o magistrado, sua declaração de suspeição ocorre em razão do cargo que ocupa dentro da Suprema Corte Eleitoral do país. Ele afirma que é preciso "assegurar o equilíbrio nas eleições", marcadas para o dia 4 de outubro, em apenas 19 dias.
"Eu tenho feito um esforço enorme e isso é de fácil constatação. O Tribunal Superior Eleitoral tem se mantido, em que pese uma ou outra crítica, mas eu estou convicto disso, se mantido absolutamente equidistante", completou.
Nesta terça-feira (15), o plenário do STF se reúne para analisar o relatório divulgado por Mendonça no início de setembro. No documento, a PF aponta que Moraes teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Master. O magistrado também teria sido consultado por Vorcaro dois dias antes do banqueiro ser preso enquanto tentava deixar o país.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



