O que muda na prática com o PL Antifacção aprovado pela Câmara

Texto amplia penas, reforça investigações e mira financiamento das facções criminosas

Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, ao lado de barricadas que foram colocadas pelo Crime Organizado para conter avanço de policiais

A aprovação do PL Antifacção pela Câmara dos Deputados, ocorrida na noite desta terça-feira (24), cria um novo marco legal de enfrentamento ao crime organizado ao ampliar penas, tipificar o crime de facção criminosa e reforçar instrumentos de investigação e bloqueio de patrimônio. A proposta, no entanto, ainda está sujeita a análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode vetar trechos do PL.

O texto aprovado após uma longa discussão na Câmara passa a prever pena de 15 a 30 anos de prisão para quem integrar ou financiar facções criminosas, podendo ser dobrada nos casos de liderança. A proposta também equipara milícias a facções para fins penais e endurece punições em crimes com uso de explosivos e ataques coordenados a cidades, associados ao chamado novo cangaço.

Leia mais: Câmara aprova PL Antifacção e endurece penas contra facções criminosas

Relator do projeto de autoria do governo federal, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) afirmou que a mudança busca corrigir lacunas legais no combate às organizações criminosas.

“O Brasil precisava de um instrumento mais objetivo para enfrentar estruturas criminosas que exercem domínio territorial e econômico”, disse.

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Outro ponto central é o fortalecimento das medidas patrimoniais. A nova legislação amplia hipóteses de bloqueio e perda antecipada de bens, permitindo que recursos apreendidos sejam destinados aos Fundos Nacional e estaduais de Segurança Pública.

Durante a votação, parlamentares da base governista também defenderam o endurecimento penal, mas destacaram a necessidade de financiamento permanente das políticas de segurança.

“Segurança pública não se faz apenas com aumento de pena, mas com investimento contínuo”, disse.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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