Moraes determina quebra de sigilos de suspeitos de vazar dados de ministros do STF

Decisão autoriza acesso a informações bancárias, fiscais e telemáticas de servidores investigados por consultar ilegalmente sistemas da Receita e repassar dados a terceiros

Alexandre de Moraes, ministro do STF.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados na operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira (17), que investiga o vazamento de dados sigilosos de ministros da Corte e de familiares.

A decisão, que autorizou a ofensiva da PF, também permitiu o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Além das quebras de sigilo, Moraes impôs uma série de medidas cautelares aos suspeitos, incluindo:

  • proibição de se ausentar do estado;
  • recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, com uso de tornozeleira eletrônica;
  • afastamento imediato de funções públicas;
  • proibição de ingresso no Serpro e na Receita Federal;
  • bloqueio de acesso a sistemas e bases informatizadas;
  • impedimento de deixar o país, com cancelamento de passaportes e restrição migratória.

A operação

A Polícia Federal investiga o acesso ilegal a sistemas da Receita Federal para obtenção de informações fiscais de ministros do STF, do procurador-geral da República e de parentes dessas autoridades.

Os suspeitos são servidores do órgão: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Eles deverão prestar depoimento nos próximos dias.

A Receita confirmou ao Supremo que identificou desvios em auditoria interna, mas apontou limitações para aprofundar a apuração sobre a motivação do vazamento.

Em nota, o STF afirmou que as investigações iniciais detectaram “diversos e múltiplos acessos ilegais” e a posterior entrega dos dados a terceiros.

Segundo parecer da Procuradoria-Geral da República, assinado por Paulo Gonet, as informações foram exploradas de forma “fragmentada e seletiva” com o objetivo de “produzir suspeitas artificiais” contra autoridades públicas.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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