O economista Marcos Lisboa, secretário de Política Econômica no
Questionado sobre o impacto da polarização na formulação de políticas públicas, Lisboa afirmou que a discussão com o objetivo de ataque pessoal enfraquece a troca de propostas.
“Esse ponto já vem de muito tempo. No embate da política, e não é só no Brasil que está acontecendo, você quer desqualificar o outro. Não interessa se a ideia ou a proposta é bacana ou não. Não se está interessado em discutir a proposta, mas em desqualificar o outro. Precisamos superar essa etapa. A etapa tem que ser do diálogo, vamos melhorar a vida das pessoas”, destacou.
O economista atuou no governo Lula entre 2003 e 2005, quando foram implementadas políticas públicas que marcaram as gestões petistas,
“Na época do governo propostas como a questão do consignado, da ação fiduciária e do próprio Bolsa Família sofreram oposição de economistas de esquerda nos primeiros meses, mas foram construídas com apoio do governo e da oposição. Governo e oposição dialogavam, a gente conversava. Tenho muita gratidão por líderes da oposição que apoiaram essas propostas junto com os que apoiavam o governo. Foi assim que a gente conseguiu avançar com essas propostas”, recordou o economista.
Veja a entrevista completa:
Lisboa concluiu seu raciocínio propondo que a análise das políticas públicas sejam feitas baseadas nos resultados e em comparação com iniciativas experimentadas em outros países e não apenas nos valores que são despendidos para sua aplicação.
“Temos que mudar um pouco a maneira como a política pública é discutida. A discussão não deve ser quanto se está gastando com educação ou com transferência de renda. A questão é se o programa está bem desenhado, se está melhorando a qualidade de vida, se as crianças estão aprendendo português e matemática, se a saúde melhorou. O debate tem que ser sobre o resultado da política e o que a experiência internacional e o que a análise técnica tem a dizer sobre as diversas opções”.