Marcos Lisboa critica polarização no debate público: ‘Se quer desmoralizar o outro’

Em entrevista à Itatiaia, o economista defendeu o debate sobre políticas públicas baseado em resultados e recordou período em que atuou no governo federal

O economista Marcos Lisboa foi o entrevistado do programa Dia a Dia da Política desta segunda-feira (12)

O economista Marcos Lisboa, secretário de Política Econômica no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia que o momento atual do debate político no Brasil deteriora o espaço de discussão técnica de políticas públicas. Em entrevista à colunista da Itatiaia Bertha Maakaroun publicada nesta segunda-feira (12), ele recordou seu período no Ministério da Fazenda o impacto da polarização na discussão dos problemas do país.

Questionado sobre o impacto da polarização na formulação de políticas públicas, Lisboa afirmou que a discussão com o objetivo de ataque pessoal enfraquece a troca de propostas.

“Esse ponto já vem de muito tempo. No embate da política, e não é só no Brasil que está acontecendo, você quer desqualificar o outro. Não interessa se a ideia ou a proposta é bacana ou não. Não se está interessado em discutir a proposta, mas em desqualificar o outro. Precisamos superar essa etapa. A etapa tem que ser do diálogo, vamos melhorar a vida das pessoas”, destacou.

O economista atuou no governo Lula entre 2003 e 2005, quando foram implementadas políticas públicas que marcaram as gestões petistas, como o Bolsa Família. Lisboa recorda que o principal programa de transferência da história do país foi construído em diálogo com a oposição no Congresso Nacional.

“Na época do governo propostas como a questão do consignado, da ação fiduciária e do próprio Bolsa Família sofreram oposição de economistas de esquerda nos primeiros meses, mas foram construídas com apoio do governo e da oposição. Governo e oposição dialogavam, a gente conversava. Tenho muita gratidão por líderes da oposição que apoiaram essas propostas junto com os que apoiavam o governo. Foi assim que a gente conseguiu avançar com essas propostas”, recordou o economista.

Veja a entrevista completa:

Lisboa concluiu seu raciocínio propondo que a análise das políticas públicas sejam feitas baseadas nos resultados e em comparação com iniciativas experimentadas em outros países e não apenas nos valores que são despendidos para sua aplicação.

“Temos que mudar um pouco a maneira como a política pública é discutida. A discussão não deve ser quanto se está gastando com educação ou com transferência de renda. A questão é se o programa está bem desenhado, se está melhorando a qualidade de vida, se as crianças estão aprendendo português e matemática, se a saúde melhorou. O debate tem que ser sobre o resultado da política e o que a experiência internacional e o que a análise técnica tem a dizer sobre as diversas opções”.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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