Justiça italiana suspende análise da extradição de Zambelli após contestação da defesa

Corte de Apelação de Roma vai decidir se aceita pedido de mudança do colegiado antes de retomar julgamento

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)

A audiência realizada nesta terça-feira (20), pela Corte de Apelação de Roma sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil terminou sem decisão.

A defesa solicitou a substituição dos três magistrados responsáveis pelo caso, alegando parcialidade do colegiado, o que suspendeu qualquer possibilidade de deliberação sobre a extradição nesta sessão.

Com o pedido, o tribunal italiano deverá agora estabelecer um prazo para decidir se aceita ou rejeita a contestação apresentada pelos advogados. Até que essa definição ocorra, o processo de extradição permanece paralisado, e Zambelli segue presa na Itália por decisão da Justiça local, que entendeu haver risco de fuga.

Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, a defesa sustentou que os magistrados já estariam inclinados a autorizar a extradição desde audiências anteriores.

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O pedido de troca da turma foi fundamentado, de acordo com os advogados, em supostas violações a tratados internacionais, regras de direitos humanos e na alegação de ausência de provas que vinculem diretamente Zambelli à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Durante a audiência, a defesa também solicitou acesso a documentos considerados centrais para o caso, como o chamado Relatório 38 da Polícia Federal, que, segundo Pagnozzi, não estaria disponível em sua íntegra às autoridades italianas.

A estratégia busca reforçar o argumento de que não há comprovação direta de que Zambelli tenha sido mandante da invasão ao CNJ.

Outro pedido apresentado foi a inclusão do ex-servidor do Tribunal Superior Eleitoral Eduardo Tagliaferro como testemunha. Para os advogados, o depoimento serviria para sustentar a tese de perseguição política, o que, segundo tratados internacionais, pode impedir a extradição de um réu.

Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão por crimes relacionados à invasão do sistema do CNJ.

Após a decisão, deixou o Brasil, passou pelos Estados Unidos e se estabeleceu na Itália, país do qual possui cidadania. Em dezembro, o STF determinou a cassação de seu mandato, posteriormente formalizada com a renúncia apresentada à Câmara dos Deputados.

Próximos passos

Nos próximos dias, a Corte de Apelação de Roma deverá decidir se aceita o pedido de substituição dos magistrados. Caso a contestação seja acolhida, um novo colegiado será designado e o processo de extradição recomeça sob nova condução, o que pode prolongar ainda mais o trâmite.

Se o pedido for rejeitado, os mesmos juízes retomam o julgamento e poderão marcar uma nova audiência para analisar o mérito do pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro.

Independentemente do desfecho, ainda caberão recursos dentro do sistema judicial italiano antes de uma decisão definitiva.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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