O senador Flávio Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (15), que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta condições adversas na superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde está preso. O parlamentar voltou a defender a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias. A declaração foi feita após visita ao pai.
Segundo Flávio, Bolsonaro permanece em uma sala com ruído constante provocado pelo sistema de ar-condicionado, que funciona por cerca de 12 horas diárias. De acordo com o senador, o barulho levou o ex-presidente a solicitar um protetor auricular para suportar o que classificou como um “zumbido enlouquecedor”.
“É inacreditável que, em um prédio desse tamanho, não exista outra sala sem esse ruído. Isso é técnica de tortura”, afirmou ele.
Flávio também relatou que Bolsonaro enfrenta crises recorrentes de soluço, associadas ao uso de medicamentos. Segundo ele, o tratamento coloca o ex-presidente em um dilema: ao aumentar a medicação, há risco de desequilíbrio e quedas. Ao reduzir, os soluços se tornam persistentes.
O senador disse que o pai está fisicamente abatido, mas mantém o bom humor e a “resiliência”. A defesa aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal sobre um novo pedido de
Dosimetria
Sem citar detalhes técnicos, Flávio voltou a afirmar que o processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro foi “viciado” e conduzido por adversários políticos.
Ele disse esperar que o Supremo reavalie os pedidos da defesa, especialmente no que diz respeito à dosimetria da pena, ponto que tem sido central na estratégia jurídica do grupo bolsonarista.
Michelle Bolsonaro
Questionado sobre a atuação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Flávio minimizou especulações sobre um possível racha interno após ela compartilhar um vídeo do governador Tarcísio de Freitas e curtir um comentário que o apontava como “CEO do Brasil”.
Segundo o senador, não há conflito e ele defende unidade dentro do campo conservador.
Flávio afirmou não ter conversado com Michelle nos últimos dias, mas disse que divergências internas só favorecem a esquerda. “Eu não sou burro para cair nessa pegadinha”, afirmou.
Ele reiterou que é o pré-candidato indicado por Jair Bolsonaro, mencionando a carta assinada pelo ex-presidente, e afirmou que sua candidatura “não tem volta”.
Apesar de dizer que a campanha ainda está distante, Flávio criticou o governo federal, citando aumento de impostos, alta no preço dos alimentos e falhas na segurança pública.
Segundo ele, o objetivo é unificar a direita e se apresentar como alternativa ao atual governo. “Nosso adversário não está dentro da direita. Está na esquerda”, concluiu.