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CPMI do INSS convoca cônjuges e sócios do 'Careca do INSS'

Comissão define sessão extraordinária para votar seis requerimentos e marca oitivas de testemunhas já para esta quinta-feira

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Equipe da CPMI do INSS anuncia audiência extraordinária para votar requerimentos de convocação de familiares de "Careca do INSS"
Equipe da CPMI do INSS anuncia audiência extraordinária para votar requerimentos de convocação de familiares de "Careca do INSS" • Aline Pessanha | Itatiaia

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu avançar em uma nova etapa das investigações sobre possíveis desvios de recursos de associações e contratos vinculados à Previdência Social.

Em reunião nesta segunda-feira (15), a equipe composta pelo presidente da Comissão, o senador Carlos Viana, o vice Duarte Júnior, o relator Alfredo Gaspar, os deputados federais Rogério Marinho e Paulo Pimenta, anunciaram para esta terça-feira, às 12h, uma sessão extraordinária destinada à votação de seis requerimentos de convocação de testemunhas. As oitivas devem ser agendadas para quinta-feira (18).

A lista de nomes a serem ouvidos amplia o alcance das investigações. Além dos principais envolvidos, entram agora cônjuges e sócios de Antônio Carlos Camilo, o "Careca do INSS", apontado como elo central no esquema.

Foram incluídos Tânia Carvalho dos Santos, esposa de Camilo; Rubens e Salvador de Almeida, sócios do empresário Maurício Camisotti; Cecília Montalvão, esposa do "Careca do INSS"; e o advogado Nelson William, que já foi alvo de apreensão da Polícia Federal. O objetivo, segundo os parlamentares, é esclarecer a origem e o destino de movimentações financeiras suspeitas que chegam a centenas de milhões de reais, bem como contratos de empresas ligadas a familiares e sócios do grupo investigado.

Durante a reunião, parlamentares reforçaram que a presença dos convocados será obrigatória, mesmo diante da possibilidade de pedidos de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal. Ficou registrado que o direito ao silêncio, previsto constitucionalmente, será respeitado, mas que a ausência sem justificativa poderá levar a medidas mais duras, incluindo a condução coercitiva. “O Brasil não quer saber de ideologia A ou B, o Brasil quer saber quem roubou as instituições”, disse o vice Duarte Jr, defendendo o caráter apartidário da investigação.

A crítica às manobras de defesa também foi um ponto central. A ausência de depoentes já convocados, como Camisotti e o “Careca”, foi classificada como desrespeito aos trabalhos da comissão. O presidente da CPMI destacou que não haverá espaço para protelações e que notificações oficiais serão reforçadas para garantir a presença. “Quem não comparecer estará sujeito às consequências previstas na lei. Esta comissão não será usada para jogadas protelatórias”, declarou Vianna.

Outro debate importante tratou do papel de advogados no processo. O nome de Nelson William foi citado como exemplo de convocação delicada: embora parlamentares reconheçam as prerrogativas da advocacia, sustentam que, diante de indícios de envolvimento em operações suspeitas, advogados também podem ser ouvidos como testemunhas.

Entre os próximos passos, a CPMI vai estruturar um organograma detalhado dos vínculos societários e financeiros entre os investigados, associações ligadas ao INSS e empresas contratadas para projetos de modernização de sistemas. Esse mapeamento deve embasar a próxima rodada de oitivas e servirá de base para responsabilizações futuras.

Além da investigação técnica, os parlamentares demonstraram preocupação com a comunicação à sociedade. O compromisso é manter a transparência, garantindo a transmissão pública das sessões, a publicação das decisões e o acesso a documentos que não estejam sob sigilo.

“Esta comissão tem mostrado seriedade e não pode ser desrespeitada. O povo brasileiro merece respostas rápidas e claras”, afirmou o deputado Marcelo Vam Hattem.

Ao final, ficou evidente que o clima na CPMI é de endurecimento. O consenso entre governo e oposição em torno das convocações indica que, ao menos nesse ponto, a prioridade é avançar sobre os indícios de desvio de recursos públicos e responsabilizar os envolvidos.

As oitivas desta quinta-feira devem marcar um dos momentos mais aguardados da investigação, testando até onde vai a disposição dos convocados em colaborar com a apuração.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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