Com Planalto no pano de fundo, direita e esquerda se movimentam em relação à PBH na Câmara

Vereadores bolsonaristas se consolidam como oposição à Prefeitura de BH enquanto parlamentares de esquerda tendem a se alinhar com o Executivo

Vereadores de diferentes espectros ideológicos se reúnem na Câmara de BH

As movimentações eleitorais que partem de Brasília irradiam efeitos para o restante do país e não é diferente com a Câmara Municipal de Belo Horizonte. No segundo ano da atual legislatura, as posições dos vereadores da capital mineira se cristalizam com os nomes da direita se firmando como oposição sistemática ao Executivo Municipal e a esquerda mais alinhada aos projetos da prefeitura.

Embora a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) não tenha um bloco de oposição oficialmente constituído, essa função se acomodou na bancada do PL, a maior da Casa. O grupo de seis parlamentares é capitaneado na função pelos bolsonaristas Pablo Almeida, Vile dos Santos e Uner Augusto.

Nos últimos meses, o trio recrudesceu as críticas à Prefeitura de Belo Horizonte em projetos na Casa e em ações externas — só Pablo Almeida já acionou o Ministério Público ou o Tribunal de Contas do Estado em três oportunidades desde dezembro do ano passado para investigar atividades do Executivo.

À Itatiaia, Pablo Almeida disse que vê com naturalidade o movimento do partido para um local de oposição à prefeitura. Ele destacou que a bancada do PL deu a Álvaro Damião (União Brasil) um período de adaptação ao cargo, mas se frustrou com a postura do prefeito.

“Eu vejo como uma movimentação extremamente coerente com os anseios dos nossos eleitores e também com os princípios aos quais nós defendemos. No ano passado, até meados de junho ou julho, a gente não tinha posto ainda as nossas redes sociais e também no plenário críticas duras contra a atual administração. O prefeito tinha sido recém-eleito após a trágica morte do Fuad e a gente deu o benefício da dúvida para ele durante alguns meses, até porque tivemos reuniões em que ele demonstrou ter um apreço muito grande pela nossa visão de mundo e as pautas que a gente defendia. Esse benefício foi finalizado porque a gente viu de fato com quem ele estava compondo o governo, o que ele estava de fato pensando para cidade e a gente se manteve com uma postura mais firme de oposição”, analisou.

À esquerda, a análise sobre as movimentações da Câmara em relação à PBH é feita sob o prisma das eleições de 2026. O vereador Bruno Pedralva (PT) avalia que a assunção de um papel de oposição por parte do PL se dá diante das sinalizações positivas de Damião em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrerá à reeleição em outubro.

“Me parece um movimento natural por parte da bancada bolsonarista do PL na Câmara Municipal ir para a oposição programática ao prefeito Álvaro Damião em função da sua posição de sinalizar apoio ao presidente Lula nas eleições de 2026. A bancada de esquerda segue com a sua atuação independente. A gente saúda e celebra sim o apoio do prefeito Álvaro ao presidente Lula, afinal de contas o que está em risco é a democracia brasileira”, disse o vereador.

Ainda segundo Pedralva, embora os parlamentares de esquerda votem, na maioria das vezes, alinhados à bancada governista, o grupo mantém a independência para contrariar orientações do Executivo em pautas específicas. O vereador cita como exemplo o caso da votação do projeto que instituiria a tarifa zero nos ônibus de BH, apoiado por PT, PSOL e PCdoB e derrubado pelos vereadores da situação no ano passado.

Sobre os impactos da corrida presidencial na postura das bancadas na Câmara de BH, Pablo Almeida associa a postura crítica de seu partido a Damião a questões práticas, mas não poupa o prefeito de críticas por sua postura durante as recentes visitas de Lula a BH. Ele cita também a reunião que o chefe do Executivo da capital mineira teve com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), hoje presidente do Banco dos Brics.

“Com sinceridade, eu não penso nisso (questões eleitorais), porque a gente está olhando para a materialidade daquilo que está sendo realizado na prefeitura hoje, que é completamente contrário à que a gente acredita, que é o princípio de eficiência, por exemplo, na gestão de uma cidade. [...] Ele já definiu o lado dele. Ele já está no palanque com o Lula há muito tempo. A política é feita de gestos e toda as vezes que esse descondenado pisa aqui no município de Belo Horizonte, o prefeito está lá ao lado dele, não só para fazer uma uma participação regimental, mas abraçando ele com gestos de afeto e de cumplicidade, assim também como foi com a Dilma, quando ele falou: ‘nossa eterna presidente Dilma Rousseff’, ou seja, ele já segmentou o caminho dele e já escolheu o lado dele. A nossa questão da oposição aqui no município é pela materialidade daquilo que está sendo entregue”, afirmou Almeida.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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