O vereador Álvaro Damião (União Brasil) foi eleito, nesta quinta-feira (11), o segundo vice-presidente da Câmara Municipal. Ele obteve 33 votos. Iza Lourença (Psol), a outra candidata ao cargo, conquistou o apoio de sete colegas.
Damião ocupará cargo vago após a cassação de Wesley Moreira (PP). Ele era o segundo vice-presidente do Legislativo belo-horizontino, mas perdeu o mandato porque a chapa do Pros, partido que o abrigava em 2020, teve os votos anulados pela Justiça Eleitoral por fraude à cota de gênero.
O mandato de Damião como um dos vice-presidentes da Câmara terminará em 31 dezembro, um dia antes de os parlamentares eleitos no pleito de outubro tomarem posse.
Nos bastidores, Damião era visto como um candidato de consenso para integrar a Mesa Diretora do Parlamento. Além dele, a Mesa tem Gabriel Azevedo (MDB), como presidente, Juliano Lopes (Podemos), como primeiro vice-presidente, Marcela Trópia (Novo), como secretária-geral, Ciro Pereira (Republicanos), na primeira secretaria, e Flávia Borja (DC), na segunda secretaria.
Defesa a ‘unidade’ da Câmara
Segundo Damião, o resultado reflete uma “unidade” na Câmara Municipal. No ano passado, em meio a embates entre o prefeito Fuad Noman (PSD) e Gabriel Azevedo, o parlamentar do União Brasil atuou como interlocutor para tentar serenar os ânimos.
“Não é uma unanimidade. É uma unidade. É o que a gente buscou para a Câmara nos últimos meses. Quando a gente se propôs a ser um elo entre o poder Legislativo e o Executivo, era para construir; para ajudar as pessoas que estão aqui. Tanto no lado do prefeito quanto no lado do presidente da Câmara, a gente conseguiu transitar e conversar com todos os grupos possíveis”, disse.
O novo segundo vice-presidente, aliás,
“A gente conseguiu apaziguar muitas situações que muitos achavam que não íamos conseguir. A gente conseguiu que alguns vereadores fossem recebidos pelo prefeito — e esses vereadores jamais imaginavam que fossem voltar à prefeitura. Essa é a intenção: dar paz a todo mundo para que todos possam oferecer o que é de melhor para Belo Horizonte”, pontuou.
Damião foi, inclusive, chamado de “pacificador” pelo presidente da Câmara. “Espero que Álvaro continue nos auxiliando a manter esse clima de paz institucional e de trabalho a favor da cidade”, projetou Gabriel.
Candidatura para ‘abrir caminhos’
Iza Lourença, por sua vez, apontou o caráter representativo de sua candidatura. Se vencesse a disputa, ela seria a primeira mulher negra a compor a Mesa Diretora da Casa. A parlamentar afirmou que participou da eleição com o objetivo de “abrir caminhos” para a participação de mulheres negras no núcleo decisório da Câmara de BH.
“A gente não pode achar normal as mulheres não se candidatarem aos cargos de poder e de decisão. Não é à toa que a Câmara Municipal nunca teve uma mulher negra na sua composição. Infelizmente, somos 25% da população, mas excluídas de muitos lugares de decisão. Por causa do racismo e porque ainda acham que nosso trabalho é doméstico. Nosso trabalho é muito mais do que isso e também é o da decisão pública”, apontou.