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Fuad explica por que retirou faixa com ‘bem-vindes’ do Centro LGBT+ de BH

Prefeito disse que decoração foi removida pois prédios do Executivo municipal têm apenas elementos visuais de identificação na fachada

O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), explicou, nesta quarta-feira (21), o que levou o poder Executivo municipal a retirar a decoração da fachada do Centro de Referência LGBTQIAP+ da cidade, no Centro. Segundo ele, a mudança aconteceu porque a prefeitura tem, como praxe, não colocar muitos elementos visuais na portaria de órgãos públicos. Ele negou ter tomado a decisão após pressão de vereadores à direita.

“Nenhum órgão da cidade de Belo Horizonte tem algum tipo de símbolo na frente. Ali era uma tentativa que foi feita. Pedimos para tirar. Não tem nada de vereador de esquerda ou de direita pedindo para pôr ou para tirar. Há uma política da cidade de não ter nenhum tipo de identificação, a não ser a área. (Por exemplo) ‘Prefeitura de Belo Horizonte — Secretaria de Saúde’, e não imagens daqui, dali, ou acolá. É só isso. Não há nenhum outro problema de outra ordem”, disse, durante encontro com ciclistas que reivindicam uma ciclovia na Avenida Afonso Pena, no Centro.

O adesivo no Centro de Referência LGBT+ opôs políticos da cidade. Pré-candidata à prefeitura, a deputada federal Duda Salabert (PDT) disse que, em menos de uma semana, Fuad mandou trocar o adesivo que decorava a porta do local e, depois, solicitou a retirada do novo adereço.

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Em determinado momento, a portaria do espaço, destinada ao acolhimento da população LGBT+, exibia a mensagem “bem-vindes” — variação da expressão “bem-vindos” a partir da linguagem neutra. As cores da bandeira LGBT, formada por vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e roxo, também compunham a decoração.

“Recebi essa imagem (com a decoração) de vários eleitores, indignados — e com razão. Como poderemos ter esse ‘bem-vindes’ com uma bandeira LGBT em um órgão da prefeitura”, protestou a vereadora Flávia Borja (PP), no início do mês, antes da retirada do material. Ela defendeu que a decoração não constasse mais na portaria do edifício.

Apesar da negativa do prefeito sobre a influência da bancada conservadora, a vereadora Iza Lourença (Psol) afirmou que a decisão do Executivo municipal foi influenciada pela pressão do grupo parlamentar.

“Existem parlamentares que dedicam sua atuação pública a atacar o direito das pessoas. Ações como essa (a retirada da decoração) são extremamente violentas. Nossos direitos não são negociáveis, muito menos a nossa existência”, protestou.

Entidade reage

A decisão de Fuad Noman foi criticada pelo Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos-MG). O grupo vê “LBGTfobia institucional” nos contornos do caso.

“Belo Horizonte é um município que mal possui políticas públicas para pessoas LGBTs, sendo o Centro de Referência um dos poucos espaços de acolhimento. Retirar as nossas cores, a nossa identidade, de um local que deveria nos acolher é extremamente violento”, lê-se em texto divulgado pela entidade.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
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