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‘A instituição defenderá a obrigatoriedade de imunização’, afirma MP dias após vídeo polêmico de Zema

MPMG entende que cobrar a obrigatoriedade da vacinação não viola liberdade

O governador Romeu Zema afirmou que alunos não vacinados poderão frequentar a escola sem impedimentos

O Ministério Público Estadual, por meio de nota à imprensa divulgada nesta quinta-feira (8), afirma reiterar ‘a importância da vacinação às crianças e adolescentes como estratégia de saúde pública’. No último domingo (4), por meio de vídeo postado nas redes sociais, o governador Romeu Zema (Novo) afirmou que crianças não vacinadas teriam acesso às escolas.

“Aqui em Minas, todo aluno, independente de ter ou não vacinado, terá acesso às escolas”, afirmou na ocasião.

A nota do MP ainda aponta que ‘defenderá a obrigatoriedade de imunização das vacinas incluídas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) ou que tenha obrigatoriedade determinada em lei. Atualmente, apesar de a polêmica sobre a obrigatoriedade da imunização ter ganhado força, há pelo menos 18 vacinas obrigatórias que crianças já tomam no Brasil. No vídeo divulgado pelo governador de Minas, não há especificação se a declaração era voltada para as vacinas que protegem contra a Covid-19 ou se abrangia todo o calendário de imunização do PNI.

A questão da liberdade, mencionada pelo governador, também foi mencionada na nota do MP. A instituição destacou a tese tratada pelo STF que cobrar a obrigatoriedade dos imunizantes do quadro do PNI “não caracteriza violação à liberdade de consciência e de convicção filosófica dos pais ou responsáveis, nem tampouco ao poder familiar”.

Deputados apresentaram denúncia no MP

Na noite da última quarta-feira (7), um grupo de deputados e médicos infectologistas estiveram em reunião no Ministério Público para apresentar a denúncia contra Zema. A presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) e o vereador de Belo Horizonte, Bruno Pedralva, do mesmo partido, levaram a denúncia ao procurador Carlos André Mariani.

O infectologista Unaí Tupynambas, destacou que o movimento anti-vacina que têm crescido no Brasil nos últimos anos tem trazido doenças já extintas de volta. “Já é possível perceber uma queda na abrangência da imunização da poliomielite, por exemplo. No Peru já temos casos de Poliomielite, um vírus selvagem, circulando. O Brasil está sob risco grave de ter que lidar novamente, também, por exemplo, com o Sarampo por conta da hesitação vacinal”, alerta.

Atualmente, apesar de a polêmica sobre a obrigatoriedade da imunização ter ganhado força, há pelo menos 18 vacinas obrigatórias que crianças já tomam no Brasil. Em caso de descumprimento, os responsáveis podem ser multados (de três a 20 salários mínimos ou R$ 3.300 a R$ 22 mil), acusados de negligência e até responder por homicídio doloso (quando não há intenção de matar) — se for provado que a criança morreu por não estar imunizada.

Leia também: MP recebe denúncia contra fala de Romeu Zema sobre vacinação em crianças

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Repórter de Política Nacional e Internacional na rádio Itatiaia. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pós-graduanda em Comunicação Governamental na PUC Minas. Sólida experiência no Legislativo e Executivo mineiro. Premiada na 7ª Olimpíada Nacional de História do Brasil da Universidade de Campinas.