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Economista analisa primeiro ano do governo Lula e faz projeções para 2024

Diretor do Ibmec, Marcio Salvato, faz um balanço do governo Lula: crescimento surpreendeu, mas gastos preocupam

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai apresentar proposta de novo arcabouço fiscal para presidente Lula nesta sexta-feira

O economista e diretor do Ibmec, Marcio Salvato, avalia que o primeiro ano do governo Lula foi marcado por acertos e erros na área econômica. Ele aponta o crescimento acima do esperado como ponto positivo de 2023, mas vê com ressalvas a política fiscal mais frouxa, que depende de gastos públicos.

“Foi um ano que tínhamos desafios, uma meta importante para voltar a crescer. O primeiro semestre não foi tão bom, no segundo tivemos um aquecimento na economia. Um número importa: entramos em 2023 com a expectativa de crescer menos de 1% e é possível fechar em algo próximo a 3%. A taxa de juros continua elevada e a tendência de queda demorou um pouco mais do que o esperado. A inflação conseguiu ceder com a política ajustada do Banco Central. Temos notícias boas e ruins este ano”, afirmou Salvato.

O economista alerta para o aumento dos gastos públicos, independentemente de o governo ter previsões no aumento das receitas.

“Demos sinais de melhoria durante o ano. Por outro lado, estamos gerando um custo para o próximo ano que é bem perigoso, inclusive, com o que se vem falando, de que não se mexe nos gastos, e mexe só na geração de receitas. Essa conta chega no médio e longo prazo. É uma política que visa o curto prazo, mas essa conta vai chegar”, avalia.

Desafios para 2024

Ele pontua ainda as turbulências entre o Palácio do Planalto e lideranças do governo petista com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, como motivo de preocupação. Ao longo de 2023, Lula e aliados fizeram duras críticas ao presidente do BC.

“Temos alguns problemas que virão em 2024 e que estão sendo pouco falados. Até então tínhamos uma queda de braço com o Banco Central e a política fiscal. O Banco Central mantendo a preocupação em conter a inflação, mantendo uma taxa de juros elevada, temos uma política fiscal mais solta, com um gasto público sempre com projeção de aumento. Em 2024 teremos uma substituição do presidente do Banco Central e de novos diretores. Aí vem um grande problema, vamos continuar nos preocupando com a inflação?”, questiona Marcio Salvato.

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