Em 2018, um crime brutal chocou o Brasil e ganhou repercussão internacional. A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros no centro do Rio de Janeiro, em um atentado que expôs a violência política e a atuação de milícias no estado.
Quase oito anos depois, o caso chega a um de seus momentos mais decisivos no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte inicia o ano judiciário de 2026 com o julgamento dos acusados de serem os mandantes do assassinato de Marielle Franco.
O julgamento está marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro e será realizado pela Primeira Turma do STF.
O relator do processo é o ministro Alexandre de Moraes. A ação penal está pronta para julgamento após o encerramento da fase de instrução, com a apresentação das alegações finais do Ministério Público, das assistentes de acusação e das defesas.
Entre os réus estão o ex-deputado federal Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Ambos são apontados pela Polícia Federal como mandantes do crime.
Também será julgado o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, acusado de atuar como mentor intelectual do atentado.
Completam a lista de réus Ronald Paulo Pereira, suspeito de monitorar a rotina da vereadora, e o ex-policial militar Robson Calixto, acusado de ajudar a ocultar a arma do crime e de integrar o núcleo financeiro do grupo.
Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018. O carro em que estavam foi seguido por criminosos, que efetuaram diversos disparos. Ambos morreram no local. A assessora Fernanda Chaves, que também estava no veículo, sobreviveu ao ataque.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o assassinato está relacionado à atuação política de Marielle, que se posicionava contra interesses de grupos ligados à grilagem de terras e à atuação de milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área de influência dos irmãos Brazão.
Segundo a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso pelos disparos, os irmãos Brazão teriam sido os mandantes do crime. À Polícia Federal, Lessa afirmou ter recebido a promessa de pagamento de uma quantia milionária para executar a vereadora.
Todos os acusados negam participação no assassinato.
Atualmente, os réus estão presos preventivamente, com exceção de Chiquinho Brazão, que cumpre prisão domiciliar desde abril por motivos de saúde. A denúncia foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em junho de 2024.
O julgamento colocará, pela primeira vez, os supostos mandantes do assassinato de Marielle Franco no banco dos réus da mais alta Corte do país.