Lula pede reunião entre chefes de Estado para debater acordo União Europeia-Mercosul

Após a cúpula do G20, na Índia, presidente do Brasil afirmou que encontro entre presidentes é essencial para destravar tratado de livre comércio

Lula quer definição rápida sobre acordo Mercosul-UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (11), que a a União Europeia precisa decidir se quer, ou não, firmar um acordo de livre comércio com o Mercosul. Durante entrevista coletiva em Nova Déli, na Índia, onde esteve para participar da cúpula do G20, o petista pregou a necessidade entre os presidentes de nações dos dois continentes para tratar do tema. No próximo dia 21, negociadores europeus estarão no Brasil para tentar avançar nas conversas sobre o tratado.

“Sempre digo que, quando a gente quer encontrar solução para um acordo, a gente não manda emissário. A gente vai pessoalmente. A União Europeia tem as comissões, que negociam. Mas as nossas, quem negociam, na verdade, são os governos. Quero me assentar com o Olaf Scholz (Alemanha), quero me assentar com o (Emmanuel) Macron (da França), para decidir as coisas. É só isso. Quero me assentar e saber o seguinte: onde está pegando esse acordo?”, afirmou.

Os termos do convênio de livre comércio foram fechados em 2019, mas, em abril deste ano, representantes da União Europeia enviaram, aos sul-americanos, uma espécie de aditivo ao acordo. O documento, chamado de side letter, aponta novas condições ambientais para a vigência do tratado.

Embora o chanceler Mauro Vieira tenha citado a viagem dos negociadores europeus ao Brasil, Lula afirmou que os líderes europeus precisam decidir se querem, ou não, oficializar o convênio.

“Temos de fazer uma reunião em que os presidentes estejam presentes para decidir. E dizer (se) quer ou não quer. Já fazem 22 anos que estamos (negociando o acordo)”, reforçou.

Aditivo é ‘inaceitável’ para o Brasil

Antes da entrevista de Lula, Mauro Vieira revelou o teor das conversas entre Lula e representantes europeus durante a cúpula do G20.

“O presidente, em todos esses encontros, reafirmou a posição do Brasil e do Mercosul, sobretudo em relação à side letter apresentada pela União Europeia, que impõe uma série de restrições, sobretudo na área ambiental. O presidente disse a esses dois interlocutores, inclusive a um terceiro, o presidente da França (Macron, que a side letter é inaceitável em termos de imposição de sanções às exportações do grupo, tendo em vista questões ambientais”, pontuou.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.

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