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Animais homossexuais existem, e a ciência mostra que é um comportamento comum

Observado em centenas de espécies, o comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo já foi documentado em mamíferos, aves e até insetos

A ciência reforça hoje que esse comportamento é real, documentado e digno de estudo

Pesquisas recentes reforçam que o comportamento homossexual, que inclui acasalamento, cortejo, união afetiva e até criação conjunta de filhotes, é mais frequente no reino animal do que se supõe.

Há evidências de comportamento homossexual em cerca de 1.500 espécies, como primatas, aves, insetos e até vermes.

Segundo um levantamento publicado na revista científica internacional PLOS One, 77% dos cientistas entrevistados já observaram esse tipo de comportamento nas espécies que estudam.

Contudo, apenas 48% registraram formalmente esses dados, e apenas 19% chegaram a publicar resultados (o que indica uma forte subnotificação e possíveis preconceitos de pesquisa).

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Exemplos que ampliam a compreensão

Diversas espécies já são destacadas por seus comportamentos homoafetivos ou bissexuais, reforçando que essa diversidade é natural:

  • Girafas: aproximadamente 90% se envolvem em interações homossexuais, como o tradicional “necking”, um gesto de afeto entre indivíduos do mesmo sexo;
  • Leões: machos formam coalizões de laços duradouros e até realizam ações sexuais entre si como forma de reforçar alianças;
  • Macacos: fêmeas formam pares monogâmicos duradouros; machos também eventualmente se envolvem com outros machos;
  • Golfinhos: ambos os sexos apresentam comportamentos homoafetivos, sendo os machos frequentemente bissexuais e as fêmeas predominantemente bissexuais.
  • Bisões: comportamentos homossexuais são mais comuns que heterossexuais, especialmente entre fêmeas que acasalam com machos apenas uma vez por ano.
  • Chimpanzés, albatrozes, sapos, tartarugas e peixes: várias dessas espécies exibem comportamentos não reprodutivos ou afetivos entre indivíduos do mesmo sexo.

Na verdade, a diversidade sexual no reino animal nos convida a repensar antigas percepções sobre “o natural”. O comportamento entre indivíduos do mesmo sexo em tantas espécies demonstra que não se trata de exceção ou anomalia, mas de expressão biológica recorrente e multifacetada.

Estudos sugerem que pode haver benefícios adaptativos, como fortalecimento de laços sociais, cooperação ou simplesmente prazer, ainda que muitas das motivações sigam incompletamente compreendidas.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.