‘Tudo pode acontecer’, diz especialista sobre futuro após ação dos EUA na Venezuela

Organização mundial passará por mudanças após a ação dos EUA

Imagem do incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após uma série de explosões em Caracas em 3 de janeiro de 2026.

A organização mundial nos próximos meses e até nos próximos anos após a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores, passará por mudanças, apontou o professor de Relações Internacionais da PUC Minas, Danny Zahreddine.

“Para mim, tudo é possível acontecer. Eu acredito que a ação do governo americano tomou de assalto analistas internacionais, inclusive os governos, porque muda drasticamente a maneira como o mundo vai se organizar a partir de agora”, disse.

“A última vez que os Estados Unidos tomaram uma ação como essa foi basicamente na década de 80, para também tirar um presidente da América Central do poder, revelando um projeto de presença forte”, acrescentou.

O professor afirmou, ainda, que as ameaças à Cuba e à Colômbia é uma sinalização de que essa política própria do século XIX dos Estados Unidos, a doutrina Monroe, vulgarmente conhecida como política do porrete, volta a acontecer”, ressaltou.

A doutrina Monroe foi formulada pelo presidente James Monroe em 1823. Ela tinha como principal objetivo afastar a colonização europeia e outras interferências em nações independentes do Hemisfério Ocidental.

No entanto, os impactos do retorno dessa política ainda estão sendo analisados, uma vez que o mundo é regido pelo direito internacional e pelas instituições internacionais, que são um contraponto à política de força do século XIX.

“Há uma ameaça contra a Colômbia, que, sim, é um país que tem muita produção de drogas, o principal polo da saída de cocaína que vai para os EUA. Só que temos que avaliar o seguinte: qual o impacto que isso teria para a política americana no momento em que ele já tem um problema adicional com a Venezuela?”, concluiu.

Veja o vídeo:

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Cronologia da ação

Ataque e captura (02h50 – 03h20)

  • 02h50 | Explosões em Caracas: Moradores da capital venezuelana relataram tremores e o som de aeronaves de guerra. Pelo menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de 30 minutos. Segundo informações obtidas pelo The New York Times, a ofensiva inicial deixou ao menos 40 mortos.
  • 03h00 | A Invasão da Força Delta: Tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Maduro estava com sua esposa, Cilia Flores. A inteligência da CIA, que monitorava o padrão de vida de Maduro desde agosto, foi crucial para o sucesso da incursão.
  • 03h20 | Extração Aérea: Em menos de meia hora, Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado estrategicamente no Mar do Caribe.

    Operação concluída (06h21 – 13h40)

    • 06h21 | Anúncio de Trump: Através da rede Truth Social, Donald Trump oficializou a captura: “Os EUA realizaram com sucesso um ataque de grande escala. Maduro foi capturado e retirado do país por via aérea”.
    • 06h40 | Reação Venezuelana: A TV estatal da Venezuela classificou a ação como “sequestro” e uma “violação flagrante da soberania e da Carta das Nações Unidas”. O governo chavista acusou os EUA de tentarem confiscar os recursos minerais e o petróleo do país.
    • 13h23 | A Foto do Flagra: Trump publicou a primeira imagem de Maduro sob custódia. Na foto, o venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido.
    • 13h40 | Governo de Transição: Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou o apoio à opositora María Corina Machado, afirmando que ela não teria força para governar sozinha.

    Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)

    • 15h00 | Substituição em Caracas: A vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
    • 18h40 | Desembarque em Nova York: A aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais.

    Prisão (23h00)

    • Custódia no Brooklyn: Nicolás Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, a mesma unidade onde estão detidas figuras como o rapper Sean “Diddy” Combs.
    • Próximos Passos: O ex-líder venezuelano deve comparecer a um tribunal federal de Manhattan na próxima semana. Ele responderá por acusações de tráfico internacional de drogas e posse ilegal de armas de fogo.

    De acordo com fontes militares citadas pela CNN, nenhum soldado americano morreu na operação, embora alguns tenham sofrido ferimentos por estilhaços durante o confronto em solo.

    Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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