Manifestantes atiram bombas e batatas na polícia em protesto contra acordo Mercosul-UE em Bruxelas
Trabalhadores da agricultura acusam a UE de prejudicar os meios de subsistência por meio de acordos comerciais

Um protesto contra a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia terminou com confronto com a polícia em Bruxelas, na Bélgica, nesta quinta-feira (18).
Trabalhadores da agricultura acusam a UE de prejudicar os meios de subsistência por meio de acordos comerciais, como esse com o Mercosul e possíveis cortes de orçamento.
Itália e França se opõem
A França e a Itália já se opuseram ao acordo, pedindo medidas para proteger os agricultores. Nesta quinta-feira (18), o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o acordo "não pode ser assinado" e que a França será opositora de toda "tentativa de forçar" a adoção do pacto.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também afirmou que se opõe ao acordo e exigiu garantias de reciprocidade para proteger o agronegócio na Europa. Ela disse que as medidas ainda precisam ser negociadas na Comissão Europeia.
O acordo já foi aprovado pelo Parlamento Europeu.
O que é o acordo Mercosul-UE?
Negociado desde 1999, o tratado entre União Europeia e Mercosul busca criar a maior área de comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 22 trilhões de dólares.
O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.
Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.



