Groenlândia manda forte mensagem contra anexação pelos EUA: ‘Sob nenhuma circunstância’

Em comunicado, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen afirma que não aceita, ‘sob nenhuma circunstância’, o desejo norte-americano; Otan também é citada como forma de intensificar a defesa do país

Na foto, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e presidente dos EUA, Donald Trump

O governo da Groenlândia emitiu um comunicado, nesta segunda-feira (12), afirmando que não aceita “sob nenhuma circunstância” o desejo dos Estados Unidos de controlar o território ártico. O anúncio ainda destaca que as autoridades vão intensificar os esforços para garantir sua defesa por parte da Otan.

“Os Estados Unidos reiteram o seu desejo de tomar posse da Groenlândia. O Governo de Coalizão da Groenlândia não pode aceitá-lo sob nenhuma circunstância”, indicou o comunicado.

Potências como França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido emitiram, na última semana, uma declaração conjunta expressando apoio à Dinamarca e à Groenlândia diante das ações do presidente norte-americano, Donald Trump.

“Diante da postura muito positiva adotada por seis países membros da Otan em relação à Groenlândia, o Naalakkersuisut (governo da ilha) intensificará seus esforços para garantir que a defesa da Groenlândia seja integrada no âmbito da Otan”.

O governo de Jens-Frederik Nielsen enfatizou que o país pretende “permanecer sempre como parte da aliança de defesa ocidental”.

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Por que Trump quer a Groenlândia?

Trump reiterou, no último domingo (11), que a anexação dos EUA com a Groenlândia aconteceria “de alguma forma ou outra”, afirmando que “precisa de um título de propriedade”. Na quarta (7), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse a parlamentares que o presidente deseja comprar a Groenlândia em vez de invadi-la.

O desejo do presidente norte-americano já havia sido divulgado no ano passado. Em dezembro, o republicano disse que Washington precisa da Groenlândia para a segurança nacional. Ele ainda havia reconhecido que poderia ter que escolher entre preservar a integridade da aliança militar ou controlar o território dinamarquês.

A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os EUA. A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que pode ser crucial para o sistema de alerta de mísseis balísticos do país, por exemplo.

A expansão militar na ilha ártica pode incluir a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.

Qual é o status da Groenlândia hoje?

A ilha, antiga colônia da Dinamarca, tornou-se um território formado pelo reino nórdico em 1953 e, desde então, está sujeita à Constituição dinamarquesa.

Dois anos antes, um acordo entre os EUA e a Dinamarca concedeu a Washington o direito de circular livremente e construir bases militares no território, desde que Copenhague e a Groenlândia sejam notificadas.

Em 2009, a ilha recebeu ampla autonomia de autogoverno, incluindo o direito de declarar independência da Dinamarca por meio de um referendo aprovado pela população e por um um acordo de independência entre a Dinamarca e a Groenlândia, que exigiria o consentimento do parlamento dinamarquês.

Pesquisas mostram que a maioria dos 57 mil habitantes da Groenlândia apoia a independência. Porém, muitos alertam contra ações precipitadas que podem expor o país aos EUA.

* Com informações da AFP e CNN Brasil.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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