Onda de protestos no Irã já deixou quase 200 mortos, afirma ONG: ‘Número pode ser maior’

Em duas semanas, pelo menos 192 manifestantes morreram durante as reinvindicações contra o governo do país

Protestos em Araque, região central do Irã

O número de manifestantes mortos durante os protestos no Irã subiu para 192 neste domingo (11), segundo a organização Iran Human Rights, sediada na Noruega. Ao todo, mais de duas mil prisões já foram registradas.

Os protestos começaram há duas semanas e, inicialmente, foram motivados pelo aumento do custo de vida. Ao longo das manifestações, porém, as motivações evoluíram e se transformaram em um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde a revolução de 1979.

Segundo a agência de notícias France Presse (AFP), os protestos representam um dos maiores desafios para o governo do país, que atualmente é liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos. Neste domingo, importantes figuras do país deram declarações sobre o momento enfrentado.

Ali Hosseini Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou para um possível ataque militar dos EUA. “Tanto o território ocupado, quanto as instalações militares e navais dos Estados Unidos serão nossos alvos legítimos”, afirmou Mohammad.

Já em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou: “Todos nós esperamos que a nação persa seja em breve libertada do jugo da tirania”.

Por fim, em entrevista transmitida neste domingo pela emissora estatal IRIB, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que “o povo não deve permitir que vândalos perturbem a sociedade”.

Apesar das declarações que foram as primeiras dadas publicamente, desde o começo dos protestos, a mobilização nas ruas continua, tendo se intensificado nos últimos três dias. Alguns vídeos publicados em redes sociais, mostram multidões nas ruas durante novos protestos em diversas cidades, incluindo a capital, Teerã, e Mashhad, no leste.

Os vídeos vazaram apesar do bloqueio total da internet no país, o que impossibilitou a comunicação com o mundo exterior por meio de aplicativos de mensagens ou mesmo linhas telefônicas. A desconexão da internet já ultrapassa 60 horas.

Hospitais Sobrecarregados

A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, estimou neste domingo ter “confirmado a morte de pelo menos 192 manifestantes” desde o início dos protestos. A organização, porém, não descarta a possibilidade de o número ser muito maior, pois o corte da internet impede a verificação. O balanço anterior era de 51 mortos.

O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos Estados Unidos, afirma ter recebido “relatos de testemunhas oculares e informações confiáveis que indicam que centenas de manifestantes morreram no Irã durante o atual bloqueio da internet”.

O CHRI acrescentou que os hospitais estão “sobrecarregados”, os estoques de sangue estão se esgotando e muitos manifestantes foram baleados nos olhos.

A Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, afirma ter confirmado a morte de 116 pessoas ligadas aos protestos. Entre elas, 37 membros das forças de segurança e outros funcionários.

Prisões importantes

O chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, anunciou prisões “significativas” de figuras proeminentes dos protestos na noite de sábado. Ele não especificou o número de prisões nem revelou suas identidades.

O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, distinguiu entre protestos contra as dificuldades econômicas, que ele chamou de “completamente compreensíveis”, e “tumultos”, que descreveu como “muito semelhantes aos métodos de grupos terroristas”, informou a agência de notícias Tasnim.

Reza Pahlavi, filho exilado do xá deposto, que desempenhou um papel fundamental na organização dos protestos, convocou mais manifestações neste domingo. “Não saiam das ruas. Meu coração está com vocês. Sei que em breve estarei ao vosso lado”, afirmou.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, pediu neste domingo à União Europeia que designe a Guarda Revolucionária do Irã como uma “organização terrorista”.

Papa pede “diálogo” e “paz”

Neste domingo, o papa Leão XIV ofereceu orações pelas vítimas dos protestos no Irã e dos conflitos na Síria e na Ucrânia neste domingo (11). “Espero e rezo pela construção paciente do diálogo e da paz, para o bem comum de toda a sociedade”, declarou o pontífice no Vaticano.

*Com informações de AFP

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Mariana Taveira é estagiária do portal Itatiaia. Graduanda em Jornalismo pela UFMG, atua na cobertura de Minas Gerais, Brasil, Mundo e Entretenimento. Foi estagiária de produção na Record Minas e é entusiasta de narrativas que nascem do cotidiano e das paixões coletivas.
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