Governo de Roraima pede fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela

Governo federal não se pronunciou sobre o pedido, mas militares das Forças Nacionais que estão no local defendem a abertura

A fronteira entre os dois países tem ponto de monitoramento em Pacaraima (RR)

Com a captura de Nicolás Maduro e o clima de incerteza na Venezuela, o estado de Roraima pediu ao governo federal o fechamento da fronteira do Brasil com o país. Segundo o comandante da Polícia Militar do estado, Ovelan Lopes, essa é a melhor estratégia para proteger o território brasileiro.

À reportagem, o comandante informou que o pedido já foi enviado ao governo, mas não houve resposta até o momento.

O governo de Roraima deseja o fechamento da fronteira por receio da entrada de imigrantes que foram armados pelo regime de Maduro e que estariam fugindo de conflito com as Forças Armadas dos Estados Unidos.

O policiamento foi reforçado, com o número de policiais militares quase dobrado. Um paredão militar foi formado na fronteira para garantir que nenhum imigrante clandestino entre no Brasil.

As Forças Nacionais que atuam na fronteira, porém, têm uma opinião contrária a Roraima. Para eles, a fronteira deve permanecer aberta e, se necessário, a Operação Acolhida, que recebe venezuelanos, deve ser ampliada.

Em nota, o governo de Roraima esclareceu que sugeriu “a possibilidade de fechamento temporário da fronteira como medida preventiva”, mas afirmou que a decisãodo fechamento de fronterias é “uma atribuição discricionária e exclusiva do governo federal”. Leia a nota na íntegra:

“O Governo do Estado de Roraima acompanha com atenção os acontecimentos recentes na Venezuela e eventuais repercussões na estabilidade regional, reafirmando o compromisso com a paz, a ordem pública e a segurança da população roraimense.

Diante do cenário de instabilidade no país vizinho, o Governo do Estado sugeriu, em tratativas iniciais, a possibilidade de fechamento temporário da fronteira como medida preventiva. No entanto, esclarece que a decisão sobre o funcionamento ou eventual fechamento de fronteiras é uma atribuição discricionária e exclusiva do Governo Federal, a quem compete a condução das medidas no âmbito das relações internacionais, diplomacia, controle migratório e segurança nacional.

Ressalta que em razão da localização geográfica, Roraima mantém historicamente relações de cooperação com os países vizinhos, incluindo Venezuela e Guiana, pautadas pelo diálogo, integração social, desenvolvimento econômico e respeito às fronteiras. As autoridades estaduais permanecem em permanente contato com os órgãos competentes da União para monitorar possíveis desdobramentos que possam impactar a rotina da população.

O Governo de Roraima reforça a importância de que questões internacionais sejam conduzidas por meio de mecanismos diplomáticos e do diálogo, evitando qualquer escalada de conflito que comprometa a estabilidade e o bem-estar dos povos da região. O Estado se mantém à disposição para colaborar com as instâncias federais e com organismos internacionais, sempre que necessário.

Os órgãos de segurança pública estaduais seguem preparados e articulados, mantendo rotinas normais de atuação, com foco na garantia da paz, da proteção e da continuidade dos serviços essenciais à população roraimense.”

A reportagem entrou em contato com o governo federal e aguarda retorno

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Cronologia da prisão de Maduro

Ataque e captura (02h50 – 03h20)

  • 02h50 | Explosões em Caracas: Moradores da capital venezuelana relataram tremores e o som de aeronaves de guerra. Pelo menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de 30 minutos. Segundo informações obtidas pelo The New York Times, a ofensiva inicial deixou ao menos 40 mortos.
  • 03h00 | A Invasão da Força Delta: Tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Maduro estava com sua esposa, Cilia Flores. A inteligência da CIA, que monitorava o padrão de vida de Maduro desde agosto, foi crucial para o sucesso da incursão.
  • 03h20 | Extração Aérea: Em menos de meia hora, Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado estrategicamente no Mar do Caribe.

    Operação concluída (06h21 – 13h40)

    • 06h21 | Anúncio de Trump: Através da rede Truth Social, Donald Trump oficializou a captura: “Os EUA realizaram com sucesso um ataque de grande escala. Maduro foi capturado e retirado do país por via aérea”.
    • 06h40 | Reação Venezuelana: A TV estatal da Venezuela classificou a ação como “sequestro” e uma “violação flagrante da soberania e da Carta das Nações Unidas”. O governo chavista acusou os EUA de tentarem confiscar os recursos minerais e o petróleo do país.
    • 13h23 | A Foto do Flagra: Trump publicou a primeira imagem de Maduro sob custódia. Na foto, o venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido.
    • 13h40 | Governo de Transição: Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou o apoio à opositora María Corina Machado, afirmando que ela não teria força para governar sozinha.

    Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)

    • 15h00 | Substituição em Caracas: A vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
    • 18h40 | Desembarque em Nova York: A aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais.

    Prisão (23h00)

    Julgamento

    Às 14h desta segunda-feira (5), Maduro passou por audiência de custódia. O juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, é responsável pelo caso. Ele e a esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes.

    Agora, uma nova audiência sobre o caso foi marcada para o dia 17 de março, às 11h do horário local, sendo 13h em Brasília.

    Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.
    Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista de política da Itatiaia e podcaster no “Abrindo o Jogo”. Mestre em ciência política pela UFMG e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México). Na Itatiaia desde 2006, já foi apresentadora e registra no currículo grandes coberturas nacionais, internacionais e exclusivas com autoridades, incluindo vários presidentes da República. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil.

    Ouvindo...