Especialista aponta perigo em ação dos EUA na Venezuela: ‘Problema sério para o mundo’

Para o professor, mesmo com todos os problemas da Venezuela, os Estados Unidos não poderiam ter agido daquela forma

Explosões ocorreram em toda a Venezuela na madrugada deste sábado (3)

A ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro e da esposa dele, Cilia Flores, apresenta um risco para a soberania dos países, apontou o professor de Relações Internacionais da PUC Minas, Danny Zahreddine.

“A ação dos americanos abre um precedente muito perigoso, que nos leva a uma relação de poder que remete ao século XIX, onde não havia garantias de soberania dos países e de que presidentes eleitos de maneira adequada ou inadequada teriam condição de comandar os seus povos, e isso nos coloca numa condição de barbárie”, relatou o especialista, em entrevista à Itatiaia.

Para o professor, mesmo com todos os problemas da Venezuela, os Estados Unidos não poderiam ter agido daquela forma. “O impacto é evidente, fortalece os Estados Unidos e deixa claro que eles não querem abrir mão de sua posição no mundo, nem para os chineses, nem para os russos. Eles dizem o seguinte: o espaço que os Estados Unidos perderam nos últimos anos no Oriente Médio, na África, na América Latina, eles não vão perder mais”, afirmou.

“Essa é uma ação geopolítica dos Estados Unidos. Do ponto de vista do direito internacional, das instituições, da democracia, é um problema séria para o mundo o que estamos vivendo hoje”, concluiu.

Veja o vídeo:

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Cronologia da ação

Ataque e captura (02h50 – 03h20)

  • 02h50 | Explosões em Caracas: Moradores da capital venezuelana relataram tremores e o som de aeronaves de guerra. Pelo menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de 30 minutos. Segundo informações obtidas pelo The New York Times, a ofensiva inicial deixou ao menos 40 mortos.
  • 03h00 | A Invasão da Força Delta: Tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Maduro estava com sua esposa, Cilia Flores. A inteligência da CIA, que monitorava o padrão de vida de Maduro desde agosto, foi crucial para o sucesso da incursão.
  • 03h20 | Extração Aérea: Em menos de meia hora, Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado estrategicamente no Mar do Caribe.

    Operação concluída (06h21 – 13h40)

    • 06h21 | Anúncio de Trump: Através da rede Truth Social, Donald Trump oficializou a captura: “Os EUA realizaram com sucesso um ataque de grande escala. Maduro foi capturado e retirado do país por via aérea”.
    • 06h40 | Reação Venezuelana: A TV estatal da Venezuela classificou a ação como “sequestro” e uma “violação flagrante da soberania e da Carta das Nações Unidas”. O governo chavista acusou os EUA de tentarem confiscar os recursos minerais e o petróleo do país.
    • 13h23 | A Foto do Flagra: Trump publicou a primeira imagem de Maduro sob custódia. Na foto, o venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido.
    • 13h40 | Governo de Transição: Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou o apoio à opositora María Corina Machado, afirmando que ela não teria força para governar sozinha.

    Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)

    • 15h00 | Substituição em Caracas: A vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
    • 18h40 | Desembarque em Nova York: A aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais.

    Prisão (23h00)

    • Custódia no Brooklyn: Nicolás Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, a mesma unidade onde estão detidas figuras como o rapper Sean “Diddy” Combs.
    • Próximos Passos: O ex-líder venezuelano deve comparecer a um tribunal federal de Manhattan na próxima semana. Ele responderá por acusações de tráfico internacional de drogas e posse ilegal de armas de fogo.

    De acordo com fontes militares citadas pela CNN, nenhum soldado americano morreu na operação, embora alguns tenham sofrido ferimentos por estilhaços durante o confronto em solo.

    Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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