Prisão de Maduro: países americanos podem divergir sobre ação dos EUA

Reunião é na Organização dos Estados Americanos para debater operação militar que prendeu o venezuelano e a esposa dele

Países latino-americanos e caribenhos se reunirão nesta terça (6) para debater ações dos EUA na Venezuela

A Organização dos Estados Americanos (OEA) faz uma reunião extraordinária nesta terça-feira (6), às 12h (horário de Brasília), para debater a operação militar realizada pelos Estados Unidos que capturou Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, na Venezuela, no último sábado (3).

Criada em 1948, a organização tem sede em Washington e reúne 35 estados independentes da região, sendo o principal fórum político, jurídico e social entre os países do continente.

Segundo o analista internacional da CNN, Américo Martins, muitos países entendem a OEA como uma “ponta de lança” dos EUA, por apoiar sempre interesses estadunidenses, o que levou o órgão a perder credibilidade. Como resposta, em 2010 foi criada a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), entretanto, também não há consenso sobre o assunto no grupo.

Países como Brasil, Chile, Uruguai, México e Colômbia devem se posicionar de forma desfavorável à operação, por entender que não houve motivos, além de uma contraposição do que rege o direito internacional.

Em contrapartida, países mais alinhados com o governo de Donald Trump, como Bolívia, Paraguai e Argentina, podem adotar críticas a Nicolás Maduro durante o discurso, que possivelmente será de apoio à ofensiva americana.

De acordo com Américo, a reunião, assim como a realizada nessa segunda-feira (5) pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), “deve ser mais um exercício de retórica, sem conclusão prática”.

Reunião extraordinária da ONU debate operação militar

Ocorreu nessa segunda-feira (%) uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para debater as ações militares tomadas pelos Estados Unidos na Venezuela, responsáveis pela captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores.

Durante a discussão, o embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, defendeu a soberania do país vizinho, destacou que a América Latina é um local pacífico e reforçou que a invasão abre precedentes perigosos no mundo.

O embaixador russo, Vasily Nebenzya, afirmou que o mundo precisa impedir que os Estados Unidos se tornem um “juiz supremo” global e invadam qualquer país sem o devido cuidado com o direito internacional.

Fu Cong, embaixador chinês presente na sessão, defendeu a soltura imediata do presidente deposto Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores, além de defender a soberania do território venezuelano.

Encontro do Celac sobre operação na Venezuela

O Celac se reuniu durante a tarde do último domingo (4) para debater a operação militar dos EUA na Venezuela. A reunião terminou sem consenso sobre o posicionamento do órgão.

Segundo apuração realizada pela CNN, o Itamaraty, por meio do chanceler Mauro Vieira, manteve uma posição contra a captura de Maduro e contra a atuação militar dos EUA no país vizinho.

Esse posicionamento já havia sido exposto em nota divulgada por países latino-americanos e pela Espanha horas antes do encontro da Celac, em que Brasil, México, Chile, Colômbia e Uruguai defenderam soluções sem “ingerência externa” na Venezuela. A nota conjunta também expressou “preocupação” com qualquer tentativa de “controle governamental”.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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