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Deputados esperam melhora na relação entre Lula e Zema após avanço em debate sobre dívida

Encontro entre governador mineiro e Hadadd para tratar de saídas para crise fiscal do estado amplia crença de que será possível estreitar laços em busca de saídas a outros problemas

Sem conseguir falar com Lula, Zema se reuniu com Rui Costa na semana passada

Sem conseguir falar com Lula, Zema se reuniu com Rui Costa na semana passada

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Deputados estaduais de Minas Gerais esperam que o encontro entre o governador Romeu Zema (Novo) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), para discutir a dívida pública do estado sirva como uma espécie de divisor de águas na relação entre a Cidade Administrativa e o Palácio do Planalto.

Depois do aval de Zema à proposta de refinanciamento da dívida encampada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o desejo é que os poderes estadual e federal deem mostras de união, também, na resolução de outros problemas de Minas Gerais, que sofre, por exemplo, com falhas na infraestrutura rodoviária.

A reunião de Zema e Haddad, aliás, aconteceu um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticar o governador. O petista afirmou que o político do Novo “não compareceu a nenhuma reunião” a respeito do débito de R$ 160 bilhões contraído por Minas Gerais à União.

Zema, que nas redes sociais compartilhou registro de reunião de maio com Haddad para tratar do assunto, negou a chateação. “Se eu for xingado, apedrejado, mas solucionar, eu vou sair satisfeito”, garantiu.

O governador anunciou estar “de acordo” com a federalização de estatais proposta por Pacheco para amortizar a dívida pública. A ideia compõe um plano alternativo ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) defendido pela equipe de Zema desde o início do primeiro mandato, em 2019.

“A porta se abre para resolver outros impasses em que nosso estado está mergulhado. O governo do estado tem uma posição ideológica de Estado mínimo, privatização de estatais e congelamento de servidores que não pode ser simplesmente aceito pelo governo federal. A negociação (sobre a renegociação da dívida) avançou porque um dos lados reconheceu que ia ter de recuar - e esse lado foi o do governador”, diz, à Itatiaia, a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol), que faz oposição a Zema e tece críticas às bases do RRF, mas viu como “grata surpresa” a conversa do governador com o chefe da Fazenda.

Depois de Lula sinalizar positivamente, Haddad prometeu estudar a proposta desenhada por Pacheco — e apoiada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG). Para amortizar a dívida bilionária, o plano contempla, também, a utilização de créditos judiciais que o estado poderia acessar, bem como a criação de um programa de refinanciamento de débitos voltado a entes federados.

“Somos o segundo maior estado em representatividade e população. Temos uma dimensão continental e grandes problemas, que precisam ser resolvidos com o apoio da União. Não é por diferenças políticas que devemos ter as soluções para os mineiros atrasadas”, assinala Cássio Soares (PSD), líder de um dos dois dois blocos parlamentares que fazem parte da base aliada a Zema na Assembleia Legislativa.

Premissa republicana

Na semana passada, antes do encontro com Haddad, Zema tentou conversar com Lula. Sem sucesso na empreitada, conseguiu um aperto de mãos do presidente e uma reunião com o ministro da Casa Civil, Rui Costa — que lhe prometeu a agenda com o ministro da Fazenda.

“Qualquer político republicano, depois de eleito, tem de se sentar com qualquer ente representativo da população. O governador Romeu Zema, que é do campo da direita, deve sentar-se com o presidente Lula, que é do campo da esquerda, e resolver o problema de Minas Gerais”, defende Cássio Soares.

Bella Gonçalves, por sua vez, afirma que Zema precisa “mudar de postura” para afinar a relação com a Presidência da República.

“Espero que esse diálogo do governador com o governo federal e o presidente Lula seja republicano e que aconteça, de fato, pelo bem do povo mineiro. É importante que, para isso, o governador mude de postura. Nos primeiros meses de governo Lula, Zema não recebeu ministros que vieram a Minas Gerais e não foi às reuniões chamadas pelo Ministério da Fazenda para discutir a dívida pública e as alternativas ao Regime de Recuperação Fiscal”, sustenta.

Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
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