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Minas vai receber aporte de cerca de R$ 500 milhões para descomissionar barragens

Acordo fechado nesta sexta-feira (10), na China, viabiliza investimento privado por nova tecnologia de separação de rejeitos minerários

Acordo foi fechado durante visita de Zema à Ásia

Acordo foi fechado durante visita de Zema à Ásia

Governo de Minas/Divulgação

O governo de Minas Gerais firmou, nesta sexta-feira (10), uma parceria com três empresas que, juntas, vão investir cerca de R$ 500 milhões em uma metodologia que deve acelerar o descomissionamento das barragens de rejeitos do estado. O acordo, fechado em Pequim, na China, envolve as companhias mineiras Gaustec e PST Holding, além da chinesa Jingjin Equipment, maior produtora de filtros prensa do mundo.

A ideia é que a tecnologia de prensa amplie o uso da metodologia de empilhamento a seco dos rejeitos da mineração de ferro. Assim, a necessidade das barragens é gradativamente eliminada. Foi por causa do rompimento de barragens de rejeitos alteados a montante, formando uma espécie de “escada”, que aconteceram as tragédias de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019. Juntos, os acidentes provocaram as mortes de 289 pessoas.

“Através dessa bateria de equipamentos, a gente consegue separar a água do rejeito filtrado, que é empilhado, trazendo segurança geotécnica ao processo. A água, 95% dela, é reutilizada no processo de produção do minério. Essa conjuntura de fatores faz com que a gente agregue mais sustentabilidade ao processo de mineração”, disse Paulo Toledo, sócio da PST Holding.

Depois desses episódios, as autoridades brasileiras determinaram o descomissionamento de todas as barragens, mas muitas mineradoras alegaram que o processo era complexo e demorado. Por isso, a expectativa é que a nova ferramenta auxilie as companhias a cumprir a regra.

“Isso vai tornar nossa mineração mais segura e, também, mais sustentável em termos de meio ambiente”, projetou o governador Romeu Zema (Novo).

Entenda

As três companhias — Gaustec, PST e Jingjin — vão criar uma nova empresa que planeja investir, nos próximos cinco anos, R$ 360 milhões na construção de dez módulos de produção em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Vão ser gerados, segundo os envolvidos, 600 empregos diretos no processo de mineração sustentável.

O restante do investimento, aproximadamente R$ 150 milhões, será aplicado em um centro de montagem e distribuição de equipamentos e peças sobressalentes, podendo ser utilizado como centro de conexão e apoio para atender setores ligados à mineração, ao saneamento e à indústria química.

“Os produtos gerados nesse processo (de separação dos rejeitos) são o concentrado de minério de ferro, que tem alto valor agregado, areia, que tem alto valor na construção civil, e o rejeito drenado, seco, para o empilhamento”, encerrou Paulo Toledo.

A cobertura da Missão Empresarial à China, que tem a participação do governador de Minas, é oferecimento da FIEMG. Essa iniciativa tem como patrocínio Master CODEMGE, CBMM, GERDAU, J.Mendes e VALE, e parceria Samarco e Arcellor.

Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
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