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Padilha minimiza PP e Republicanos com Zema e vê ‘realidades diferentes’ entre conjuntura nacional e cenários locais

Ministro que comanda a articulação política do governo recorre a uma metáfora futebolística para defender embarque, na Esplanada dos Ministérios, de partidos ligados ao Centrão

Integrante do grupo responsável pela articulação política do governo federal, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT-SP), minimiza o fato de PP e Republicanos apoiarem, localmente, forças que fazem oposição ao petismo. Os partidos, que embarcaram na Esplanada dos Ministérios neste mês, compõem, por exemplo, a base aliada ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

“Essa é uma característica do Brasil. Os partidos têm realidades diferentes (nos planos local e nacional). São duas bancadas na Câmara dos Deputados, tanto do PP quanto do Republicanos, que, majoritariamente, já votaram conosco no primeiro semestre. Aprovaram a reforma tributária, o marco fiscal e a recriação de todos os programas”, diz, em entrevista exclusiva à Itatiaia.

As costuras que deram forma à reforma ministerial foram oficializadas na semana passada, com as posses de André Fufuca (PP-MA) no Ministério do Esporte e de Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE) nos Portos e Aeroportos.

“São dois deputados que eram líderes das bancadas e vêm para o governo. A expectativa é que isso reforce ainda mais (o poder Executivo). É a consolidação de uma demarcação muito nítida: todas as forças políticas que, a partir do dia 8 de janeiro, rechaçaram a tentativa de golpe no país e salvaram a democracia, estão com ministros, ministras e quadros no governo do presidente Lula”, aponta.

A despeito do ingresso de representantes dos dois partidos no governo, lideranças das legendas têm pregado independência em relação à administração de Lula. À Folha de S. Paulo, Fufuca afirmou que o presidente nacional de sua agremiação, o senador Ciro Nogueira (PI), foi o responsável por definir pela neutralidade do PP.

“O PP continua independente, até porque PP tem membros que não votam com o governo, são membros de oposição. Mas, da nossa parte e da ampla maioria da Câmara Federal, nós estaremos ajudando o governo naquilo que for melhor para o país e iremos continuar ajudando, como já vínhamos fazendo”, explicou.

A orientação independente deve ser seguida, também, pelo Republicanos. A sigla emitiu nota para confirmar o posicionamento.

Em Minas, os dois partidos têm postos importantes na articulação política do governo Zema. A Secretaria de Estado de Casa Civil, pasta responsável, entre outras tarefas, pela interlocução com os Poderes da República, está com Marcelo Aro, do PP. Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Carlos Henrique, do Republicanos, é um dos líderes do grupo de parlamentares que dá sustentação ao Palácio Tiradentes.

Sem sequelas

As conversas em torno das mudanças no comando dos ministérios se arrastaram por semanas. Ao longo das articulações, possíveis novos arranjos da Esplanada dos Ministérios foram aventados. A divisão do Ministério do Desenvolvimento Social, por exemplo, chegou a ser aventada. No mês passado, à Itatiaia, o titular da pasta, Wellington Dias, assegurou que o ministério não seria dividido.

Para Padilha, o longo processo de debate em torno da composição ministerial não deixa sequelas nos aliados do governo.

“Quem tem experiência de governo sabe que você não tem de se guiar pelo que aparece, às vezes, de especulações. Você tem que se guiar pelas falas do presidente e daqueles que ele determina para fazer a coordenação política”, garante.

A fim de defender as trocas, o ministro recorre a uma metáfora futebolística.

“O time sai mais reforçado ainda. No primeiro turno do campeonato, o primeiro semestre, a gente já liderou, votando e aprovando tudo o que era necessário aprovar no Congresso. É um time que já estava na liderança, mas resolveu se reforçar para o segundo turno e manter a liderança”.

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
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