STF autoriza Governo de Minas a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal

Ministro Nunes Marques considerou que a Assembleia foi ‘omissa’ ao não avaliar projeto encaminhado pelo governador Zema

Zema poderá prosseguir com adesão ao Regime de Recuperação Fiscal

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Nunes Marques, concedeu autorização ao Governo de Minas para prosseguir à adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), mesmo sem aval da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Em decisão publicada nesta sexta-feira (1º), o ministro disse que o Legislativo estadual foi omisso ao não colocar em votação o Projeto de Lei 1.202, encaminhada pelo governador Romeu Zema (Novo) em 2019, e que há um “estado de bloqueio institucional” sobre o assunto.

“Defiro, em parte, a medida cautelar (...) para possibilitar que o Estado de Minas Gerais, se ainda conveniente, prossiga na adoção das providências legais e administrativas, com vistas a formalizar pedido de adesão ao RRF, cujo deferimento ou indeferimento decorrerá da competência do Ministério da Economia”, diz trecho da decisão de Nunes Marques.

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O Governo de Minas recorreu ao STF após não conseguir viabilizar a aprovação da matéria na Assembleia Legislativa. O presidente da Casa, deputado estadual Agostinho Patrus (PSD) disse inúmeras vezes ser contra a medida e não colocou o projeto para votação.

Já o governador Romeu Zema, sem conseguir articular uma base parlamentar em defesa da proposta, optou por recorrer ao Supremo para que a ALMG fosse obrigada a pautar o projeto para votação. Agora, poderá negociar os termos do Regime de Recuperação Fiscal diretamente com o Ministério da Economia, embasado na decisão de Nunes Marques.

O que diz a decisão de Nunes Marques?

A decisão do ministro Nunes Marques com relação ao assunto foi publicada hoje. No documento de 21 páginas, ele diz que o projeto não foi colocado em votação mesmo estando em regime de urgência na tramitação.

“As circunstâncias extraordinárias narradas sugerem omissão da Casa Legislativa mineira em apreciar o Projeto de Lei n. 1.202/2019, que, mesmo depois de reapresentado, teve, uma vez mais, vencido o prazo de urgência. Os 45 dias se esvaíram em 24 de junho de 2022, novamente sem qualquer resposta por parte da ALMG”, diz a decisão.

Nunes Marques também cita o estado de “penúria fiscal” do Estado e há “perigo” na demora da avaliação da matéria.

Resposta

A Itatiaia entrou em contato com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais e com o Governo de Minas e vai atualizar a reportagem com as respostas dos Poderes.

Em nota, o Executivo afirmou que não comentaria a decisão.

“Em respeito aos ritos forenses e à divisão dos Poderes, o Governo de Minas não comenta ações judiciais e informa que, quando intimado, se pronuncia nos autos dos processos”, diz a nota encaminhada pela assessoria de imprensa do governo estadual.

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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