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BHP solicitou estudo sobre risco de colapso em Mariana, revela email


O email entre executivos da BHP, comprovando a solicitação prévia de laudos, foi enviado um dia após o rompimento

Um ex-executivo da mineradora BHP enviou um email no dia seguinte ao rompimento da barragem de Mariana, em 2015,revelando que a mineradora havia solicitado anos antes um relatório independente sobre a segurança da mina. O documento foi revelado durante audiência no Tribunal Superior de Londres, nesta quinta-feira (18). O argumento da acusação é que a BHP tinha envolvimento operacional na gestão da barragem e estava ciente dos riscos de colapso.

Os advogados do escritório Pogust Goodhead, que representa cerca de 700 mil vítimas, afirmam que a BHP (sócia da Vale na Samarco) deve ser responsabilizada pelo colapso. Segundo os defensores das vítimas, a BHP alega que era uma mera acionista da Samarco, sem papel na operação diária da mina.

Confira parte do texto do email enviado por Marcus Randolph, ex-chefe de divisão da BHP que fazia parte do conselho da Samarco, ao então diretor executivo da BHP,

Andrew Mackenzie, no dia seguinte ao desastre:

“Eu era uma grande parte da Samarco na época, e nós nos empenhamos muito na segurança da barragem. Depois de uma visita ao local, enviei uma nota à Samarco que continha comentários extensos sobre o risco da barragem. Se eu puder ajudar de alguma forma, entre em contato comigo. Enviei várias cartas ao MD (Managing Director) solicitando revisões da barragem e me lembro muito bem dos acontecimentos. Acredito que também havia alguns documentos no registro de riscos da BHP e nosso conselho/comitês tiveram discussões sobre o risco”.

Resposta

A BHP respondeu à Itatiaia que as discussões sobre produção de provas não podem ser confundidas com a atribuição de responsabilidades. Leia a resposta completa:

“A audiência realizada hoje no Reino Unido foi procedimental e não discutiu o mérito do caso. Discussões sobre produção de provas e documentos são usuais na atual fase do processo inglês e não se confundem com a apreciação de alegações acerca da responsabilidade da BHP, que serão objeto das audiências designadas para outubro de 2024 com duração de 14 semanas.

Na audiência de hoje, a Corte inglesa deteminou que os pedidos de indenização individual, caso a BHP não seja bem sucedida em sua defesa de responsabilidade, só serão tratados em outubro de 2026 (em audiência com duração de 22 semanas), não se encerrando, portanto, antes de 2027.

A BHP continuará com sua defesa no processo e refuta integralmente os pedidos formulados na ação ajuizada no Reino Unido. A ação é desnecessária por duplicar questões já cobertas pelo trabalho de reparação em andamento, sob a supervisão dos tribunais brasileiros, e objeto de processos judiciais em curso, no Brasil. A BHP Brasil continua trabalhando em estreita colaboração com a Samarco e a Vale para apoiar o processo de reparação em andamento no Brasil executados pela Fundação Renova”

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista de política da Itatiaia e podcaster no “Abrindo o Jogo”. Mestre em ciência política pela UFMG e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México). Na Itatiaia desde 2006, já foi apresentadora e registra no currículo grandes coberturas nacionais, internacionais e exclusivas com autoridades, incluindo vários presidentes da República. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil.
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