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Astrônomos registram foto de fusão de galáxias

Processo só deve terminar daqui a 500 milhões de anos

Galáxias parecem próximas na imagem, mas estão a 20 mil anos-luz uma da outra

Uma imagem registrada pelo telescópio Gemini Norte, no Havaí (EUA), mostra duas galáxias em processo de colisão e fusão. Juntas, elas formam uma imagem de borboleta, como se cada uma fosse uma das asas. O equipamento é operado pelo Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica Infravermelha (NOIRLab).

O Gemini Norte faz parte do Observatório Gemini, um projeto astronômico que inclui, ainda, o telescópio Gemini Sul, instalado no Chile. Além dos EUA, órgãos governamentais de Canadá, Brasil, Chile e Argentina estão envolvidos no projeto.

Apelidadas de “galáxias borboletas”, a NGC 4568 e a NGC 4567 ficam a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, na região do Aglomerado de Virgem. Cada ano-luz corresponde a 9,5 trilhões de quilômetros.

A fusão galática é lenta: segundo os astrônomos que captaram a imagem, a NGC 4568 e a NGC 4567 vão formar uma nova galáxia somente daqui a 500 milhões de anos. Segundo o NOIRLab, a imagem permite ver uma prévia do que vai ocorrer com a Via Láctea: ela deve colidir com a galáxia mais próxima, a de Andrômeda, em cerca de 5 bilhões de anos.

Embora as duas galáxias pareçam próximas na foto, elas estão separadas por 20 mil anos-luz — que equivale a três quartos da distância entre a Terra e o centro da Via Láctea. Apesar disso, elas estão presas uma à outra, graças à força de seu centro gravitacional mútuo e, por isso, estão destinadas à fusão.

Por enquanto, ainda é possível notar a forma original espiral delas, mas à medida que a fusão avançar isso vai se tornar impossível. Isso porque as forças gravitacionais das galáxias em combate devem desencadear explosões de formação estelar intensas. Nos próximos milhões de anos, elas vão se contorcer em círculos cada vez mais apertados e correntes de gás e estrelas serão disparadas de ambas.

Aos poucos, então, uma única galáxia elíptica vai ser formada. Quando isso ocorrer, as nuvens frias e densas de gás e poeira — necessários para a formação estelar — terão sido totalmente utilizados ou expulsos das galáxias originais. Assim, não haverá mais a formação de novas estrelas na galáxia final.