“Fiquei agitada e muito, mas tirou um peso dos ombros”. O relato é de Cibele Itaboraí, cozinheira de 52 anos, uma das dezenas de vítimas do
A Justiça de Minas Gerais condenou, nessa segunda-feira (5), Bernardino a 24 anos e 9 meses de prisão por crime de estupro de vulnerável.
Em entrevista à Itatiaia, Cibele relembrou a luta desde as primeiras denúncias até a sentença. “O apoio não vinha. Algumas famílias nunca apoiaram. Tinham medo e vergonha”, disse.
A mulher relatou que foi abusada pela primeira vez em 1983, quando o ex-padre atuava na Igreja de Santa Luzia, no bairro Paraíso, na Região Leste de Belo Horizonte. “Das minhas amigas da época, só uma que ele não mexeu”, afirmou.
Após a condenação, Cibele reforçou que o processo foi sofrido para as denunciantes e recordou que duas vítimas tiraram a própria vida desde a abertura do processo, em 2021.
As mulheres criaram a
‘Reconhecimento do Estado’, diz advogada
Ana Carolina Oliveira, advogada das vítimas do ex-padre, comentou sobre a condenação. “A defesa das vítimas fica bastante satisfeita com esse resultado, porque é um reconhecimento do Estado de que houve o fato”, disse.
“É um reconhecimento. Sobretudo, porque muita muitas delas foram descredibilizadas durante anos a respeito dessa história”, acrescentou.
Bernardino Batista dos Santos foi condenado em primeira instância e poderá recorrer em liberdade. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), Bernardino é monitorado com tornozeleira eletrônica desde novembro de 2024.
Relembre o caso
O inquérito policial do caso foi instaurado por conta da denúncia de que Bernardino Batista dos Santos, também conhecido como “Santo do Paraíso”, abusou sexualmente de uma criança de 3 anos em 2016. O crime foi cometido em um sítio em Tiros, no Alto Paranaíba.
Segundo as investigações, o ex-padre utilizava o local para abusar crianças que o visitavam em excursões escolares.
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O condenado agia após retirar as vítimas de perto dos pais, que confiavam nele pela autoridade que exercia como líder religioso. A Polícia Civil (PCMG) afirmou que eram cometidos todos os tipos de abuso, inclusive conjunção carnal.
A PCMG apontou que o ex-padre pode ter abusado de mais de 60 crianças de idades entre 3 a 11 anos desde os anos 1970. No entanto, os crimes mais antigos prescreveram e não foram julgados.
Entre as paróquias que Santo do Paraíso atuou estão a Igreja de Santa Luzia, no bairro Paraíso, na Região Leste de Belo Horizonte, e a Paróquia Cristo Rei, em Contagem, na Grande BH.
Saiba como denunciar
Denúncias podem ser registradas presencialmente em uma unidade policial ou denunciadas via disque 100 e 181. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) garante anonimato e sigilo aos denunciantes. Em casos de emergência, os números a serem acionados são o 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) e 197 (Polícia Civil).