Autocoleta para HPV amplia prevenção ao câncer de colo do útero; veja como funciona

Novo método pode substituir exame de ‘papanicolau'; câncer é o terceiro mais incidente entre o sexo feminino no país

Instrumento de autocoleta para exame de HPV, principal responsável pelo câncer do colo do útero

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que a autocoleta de amostras de urina e vaginal é uma estratégia viável e bem aceita para rastrear o vírus HPV, principal responsável pelo câncer do colo do útero.

A pesquisa, conduzida com 100 pacientes encaminhados para colposcopia por alterações detectadas no exame de papanicolau, comparou amostras coletadas pela própria paciente com aquelas obtidas por profissionais de saúde. A constatação foi de alta concordância nos resultados para HPV de alto risco, especialmente o HPV 16, associado a lesões precursoras e ao desenvolvimento do câncer.

Tanto a coleta de urina quanto a vaginal foram consideradas fáceis e confortáveis pelas participantes do estudo, que relataram menor constrangimento em comparação com a coleta tradicional no consultório. A coleta de urina foi a preferida entre os métodos testados.

Para as pesquisadoras, a autocoleta pode ampliar o acesso à detecção precoce, especialmente para pacientes que enfrentam barreiras como medo, vergonha, dificuldade de acesso a serviços médicos ou limitações físicas. A técnica também pode beneficiar populações mais vulneráveis ou com restrições ao exame ginecológico tradicional.

Especialistas apontam que, apesar de o exame de HPV não indicar necessariamente doença por si só, a identificação do vírus é crucial para o rastreamento e intervenção precoce, etapa essencial para evitar a progressão para câncer invasivo.

Estudos também sugerem que a autocoleta de amostras para teste de HPV aumenta a adesão ao rastreamento em populações sub-rastreadas, especialmente quando kits são enviados diretamente às mulheres ou oferecidos com instrução clara, o que pode contribuir para reduzir a mortalidade por câncer cervical.

Como funciona o exame de papanicolau

O exame de papanicolau é um teste realizado para detectar alterações nas células do colo do útero. O exame também pode ser chamado de esfregaço cervicovaginal e colpocitologia oncótica cervical. No exame, para a coleta do material, é introduzido um instrumento chamado espéculo na vagina (conhecido popularmente como “bico de pato”), em seguida o médico provoca uma pequena escamação da superfície externa e interna do colo do útero. As células colhidas são levadas para análise em um laboratório.

O exame, apesar de super necessário, pode ser rejeitado por muitos pacientes por se tratar de um procedimento invasivo, onde muitas pessoas se sentem vulneráveis. Agora, com a autocoleta, essa etapa de recolher materiais pode ser feita individualmente e de forma mais íntima. Essa mudança pode fazer com que mais pessoas se testem e previnam o câncer de colo de útero.

Câncer de colo de útero

Dados do Instituto Nacional de Câncer revelam que, no Brasil, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre pessoas do sexo feminino. Para cada ano, entre 2023 e 2025, foram estimados 17.010 casos novos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. A taxa de mortalidade por câncer do colo do útero no país ajustada pela população mundial foi de 4,51 óbitos a cada 100 mil mulheres, em 2021.

Leia também

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Ouvindo...