Acordo Mercosul-UE: Minas Gerais é o maior exportador agropecuário do bloco

Pacto promete zerar tarifas de vinhos e queijos europeus, enquanto consolida a liderança mineira no fornecimento de café e carnes para a Europa

Bloco liderou exportações de café

A aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, consolidada nesta sexta-feira (9), promete impulsionar o agronegócio de Minas Gerais para um novo patamar de competitividade internacional. O tratado, que prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os blocos, incide diretamente sobre o estado que já é o principal exportador do setor para o mercado europeu.

Em 2025, Minas Gerais alcançou a marca histórica de US$ 6 bilhões em vendas para a União Europeia, enviando 14 milhões de toneladas de produtos ao exterior. Mesmo com uma queda de 14% no volume físico em relação ao ano anterior, a receita cresceu 35%, refletindo uma valorização expressiva nos preços médios das commodities mineiras.

Força das cadeias produtivas

Atualmente, a União Europeia ocupa o posto de segundo maior bloco comprador do agronegócio mineiro, atrás apenas da Ásia. Segundo o secretário-adjunto de Agricultura de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, o acordo fortalece cadeias produtivas que já estão alinhadas às rigorosas exigências europeias.

Os destaques da pauta exportadora mineira em 2025 foram:

  • Café: liderança absoluta, beneficiada pela alta demanda e preços favoráveis.
  • Produtos florestais: especialmente celulose e madeira industrializada.
  • Carnes e soja: forte presença de cortes bovinos, frango e derivados de soja (farelo e óleo).
  • Nutrição animal: segmento em crescimento constante no mercado europeu.

Diferencial ambiental: Selo Verde

Um fator determinante para o sucesso mineiro no novo cenário de livre-comércio é a conformidade ambiental. Através da plataforma Selo Verde, Minas Gerais já atesta que mais de 90% das propriedades de café, soja e pecuária no estado não possuem associação com desmatamento.

A ferramenta, desenvolvida pelo Governo de Minas em parceria com a UFMG e premiada pela ONU (FAO), oferece rastreabilidade e segurança jurídica aos importadores europeus, que são historicamente rigorosos quanto à sustentabilidade da produção.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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