Vinho, azeite e chocolate: acordo Mercosul-UE vai baratear importados no Brasil

Acordo de livre comércio foi provado oficialmente nesta sexta-feira (9) após reunião realizada em Bruxelas, na Bélgica

Barreiras tarifárias atuais tornam vinhos, queijos e azeites europeus significativamente caros no Brasil

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado pelos países europeus oficialmente nesta sexta-feira (9), pode baratear o preço de produtos europeus no Brasil como vinhos, azeite e queijos.

O tratado que une 31 países busca criar a maior área de comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares. Negociado há mais de 25 anos, o acordo ganhou força com a pressão do Brasil desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu seu terceiro mandato em 2023.

O que fica mais barato?

Atualmente, as barreiras tarifárias tornam vinhos, queijos e azeites europeus significativamente caros no Brasil. Com o novo acordo, a redução será gradual até chegar à isenção total. Confira os principais itens que devem sentir o alívio:

ProdutoTarifa AtualNova Tarifa (após transição)
Vinhos35%Zero
Queijos28%Zero (até cota de 30 mil ton.)
Chocolates20%Zero
Azeite de Oliva10%Zero
Leite em Pó28%Zero (até cota de 10 mil ton.)
Fórmulas Infantis18%Zero (até cota de 5 mil ton.)

Apesar do entusiasmo, o texto aprovado prevê um período de transição. Após a assinatura oficial e a ratificação pelos congressos nacionais, as alíquotas cairão ano a ano. Esse mecanismo serve para que a indústria nacional — especialmente a de vinhos e laticínios — tenha tempo de se adaptar à nova concorrência internacional.

Além das tarifas, o preço final nas prateleiras continuará dependendo de outros dois fatores voláteis: a cotação do euro e os custos de logística/frete internacional.

Impacto nas exportações do Mercosul para a UE

O “caminho de volta” também traz vantagens competitivas para o produtor do Mercosul. O acordo estabelece que o mel e a carne de aves passem a ter tarifa zero para exportação em um prazo de cinco anos, respeitando os limites de 45 mil e 180 mil toneladas anuais, respectivamente.

Já a carne bovina, um dos principais produtos da pauta de exportação brasileira, passará a pagar uma tarifa reduzida de 7,5% para um volume de até 99 mil toneladas por ano. O setor de biocombustíveis também foi contemplado: o etanol destinado à indústria química terá isenção total de impostos para uma cota de 450 mil toneladas anuais.

    Salto no PIB

    O acordo não é apenas sobre o que chega ao supermercado. Somadas, as economias dos dois blocos representam um PIB de US$ 22,3 trilhões.

    • Para o Brasil: O setor de agronegócio deve ser o maior beneficiado, com maior facilidade para exportar carnes, suco de laranja e café para o exigente mercado europeu.
    • Para a Europa: O foco está na exportação de tecnologia, máquinas e automóveis, que também devem ter suas taxas reduzidas, modernizando o parque industrial sul-americano.
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    Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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