O Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado da União Europeia, aprovou o acordo de livre comércio com o Mercosul em uma reunião realizada em Bruxelas, na Bélgica, nesta sexta-feira (9). Mais cedo, os
A aprovação do acordo ocorreu com o aval da Itália, formando maioria para que o Conselho aprovasse a matéria. Era necessário que 15 dos 27 países, representando ao menos 65% da população da UE, fossem favoráveis ao tratado com o Mercosul. O acordo enfrentava uma forte oposição da França, pressionada pelos agricultores que temem uma invasão de commodities no país a preços abaixo da média de mercado.
A expectativa é que von der Leyen viaje para Assunção, no Paraguai, na próxima segunda-feira (12) para assinar o acordo, negociado há mais de 26 anos. O tratado era para ter sido assinado em dezembro de 2025, mas foi adiado diante de pressões italianas para que novas salvaguardas aos produtores rurais fossem adicionadas no pacote.
O tratado entre o Mercosul e União Europeia busca criar a maior área de comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares. Negociado há mais de 25 anos, o acordo ganhou força com a pressão do Brasil desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu seu terceiro mandato em 2023.
O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.
Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.