Vídeo revela últimos momentos de corretora antes de ser morta em Caldas Novas

Imagens divulgadas pela Polícia Civil de Goiás mostram os últimos momentos de Daiane Alves de Souza antes do crime; corpo foi encontrado após 45 dias de buscas

Vídeo revela últimos momentos de corretora antes de ser morta em Caldas Novas

O vídeo no qual a corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, aparece momentos antes de ser morta pelo síndico com dois tiros na cabeça, foi divulgado nesta quinta-feira (19) pela Polícia Civil de Goiás, durante coletiva de imprensa. As imagens foram gravadas pela própria vítima, que ficou cerca de 45 dias desaparecida até ter o corpo encontrado em uma área de mata.

Nas gravações, é possível ver Daiane relatando que passou pela recepção do prédio e decidiu ir até o subsolo para verificar se o disjuntor do apartamento havia sido desligado. Em seguida, ela entra no elevador e, ao chegar ao local, diz: “Ah, olha quem eu encontro”. No vídeo aparece o síndico, Cléber Rosa de Oliveira, de 50 anos.

“Acabei de perder minha energia no 402. Vamos lá ver se essa brincadeira está continuando”, afirma Daiane, enquanto caminha pelo subsolo, onde ficam os medidores de energia dos apartamentos.

Ela continua filmando os padrões e diz: “409, 404, 406, tudo está aqui, mas o síndico está aqui embaixo, disso eu sei. Acho que o 402 fica aqui. Vamos ver se tem alguém brincando de desligar as coisas”. Essas foram as últimas palavras de Daiane registradas. Em seguida, a mulher é atacada pelo síndico, que a agride, e o celular cai no chão.

Segundo a polícia, após Daiane ser atacada, pouco sangue foi encontrado no subsolo do prédio.

Corretora foi morta com dois tiros na cabeça

Ainda segundo a Polícia Civil de Goiás, Daiane foi morta com dois tiros na cabeça. Conforme o delegado André Luiz Barbosa, o laudo pericial diverge da versão apresentada pelo síndico, que afirmou que o disparo teria sido acidental.

A investigação também concluiu que Daiane não foi morta no subsolo do prédio. Perícias foram realizadas no local para verificar se o som dos disparos seria audível na portaria ou em prédios vizinhos.

Corpo de mineira estava em mata de Caldas Novas, cidade de Goiás onde ela morava

“O disparo efetuado no subsolo seria plenamente ouvido na recepção. Portanto, descartamos a possibilidade de o tiro ter ocorrido no subsolo”, afirmou o delegado. Os porteiros que trabalham no prédio também foram ouvidos e negaram ter escutado qualquer disparo.

Entenda o caso

A corretora mineira Daiane Alves de Souza em Caldas Novas foi morta pelo síndico do prédio onde ela morava, Cléber Rosa de Oliveira, segundo apuração da Polícia Civil de Goiás.

Daiane, de 43 anos, desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025 no prédio onde ela morava e administrava apartamentos da mãe. Ela foi flagrada por câmeras de segurança descendo do elevador até o subsolo do prédio e não retornou mais.

O corpo de Daiane Alves de Souza foi encontrado em uma área de mata após o síndico do prédio onde a vítima morava confessar autoria do crime

A vítima gravou um vídeo descendo no elevador e enviou a uma amiga. Ela estava gravando quando chegou ao subsolo, mas esse vídeo nunca foi visto.

Imagens mostram Daiane indo até a portaria e, minutos depois, retornando ao elevador. Em seguida, ela desce ao subsolo e desaparece das gravações. A mãe afirmou que a filha não foi vista saindo do prédio nem retornando e destacou que o carro da corretora estava em Uberlândia, cidade natal da vítima.

Brigas entre o síndico e a corretora Daiane

O síndico e a vítima tinham um longo histórico de brigas relacionadas a administração de alguns apartamentos no prédio. Apesar disso, Cléber contou aos investigadores que a morte da corretora mineira não foi premeditada.

Segundo a família da vítima, e conforme informações divulgadas pela Itatiaia em 24 de janeiro, o Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou Cleber. De acordo com a denúncia, ele perseguia Daiane de forma reiterada, com ameaças à integridade física e psicológica, restringindo a liberdade de locomoção e perturbando a privacidade da vítima.

Ainda segundo o MP, a perseguição começou em janeiro de 2024, após Daiane — que administrava apartamentos da mãe no condomínio — realizar uma locação acima do número permitido de hóspedes. A partir daí, o síndico teria passado a dificultar manutenções, monitorar a movimentação da corretora e sabotar serviços essenciais, como água, internet, gás e energia elétrica.

A denúncia aponta ainda que Cleber agrediu Daiane com uma cotovelada durante uma discussão em fevereiro de 2025.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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