Operação Carnaval: PRF registra maior número de mortes nas rodovias federais desde 2020

‘A PRF não quer multar, quer garantir a segurança e salvar vida’, diz diretor ao anunciar perícia especial após acidentes fora do padrão

Coletiva na PRF sobre o balanço dos números da Operação Carnaval 2026

Uma perícia técnica aprofundada será realizada pela Polícia Rodoviária Federal para investigar os acidentes considerados “fora da curva” que contribuíram para o aumento expressivo de mortes nas rodovias federais durante o Carnaval 2026. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (19), em Brasília, durante a apresentação do balanço da Operação Carnaval, após o feriado registrar 130 mortes nas estradas, o maior número desde 2020.

Segundo o diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Souza Oliveira, muitos dos acidentes não tinham relação direta com deslocamentos para festas carnavalescas. Ele citou ocorrências registradas em São Paulo e no Distrito Federal que aconteceram apenas dentro do recorte temporal da operação. “Estavam no período do Carnaval, mas não eram trajetos ligados à festa”, afirmou.

De acordo com a corporação, a perícia vai analisar fatores como a condição dos veículos, possíveis irregularidades e outras circunstâncias técnicas para entender o que provocou o novo cenário. O diretor destacou que as rodovias federais vêm apresentando melhorias em pavimentação e estrutura, e que, neste momento, não é possível atribuir o aumento das mortes à qualidade da malha viária. “É muito diferente precisar o que houve de diferente, porque muitos desses sinistros fogem do padrão que costumamos mapear”, explicou.

O balanço aponta crescimento de 52,9% no número de mortes em relação a 2025, quando foram registradas 85 mortes. O total de acidentes passou de 1.190 para 1.241 ocorrências, alta de 4%. Já os acidentes graves aumentaram 8,5%, enquanto o número de feridos chegou a 1.481 pessoas, elevação de 3%.

Acidentes com mortes

Durante a apresentação do balanço, a PRF destacou a ocorrência de acidentes considerados atípicos, com maior número de vítimas do que o registrado normalmente, o que impactou as estatísticas deste ano.

Segundo a corporação, foram registrados três acidentes com até 12 vítimas, além de ocorrências com três e quatro mortes — situações que não haviam sido verificadas no Carnaval anterior. De acordo com o diretor, muitos casos envolveram excesso de passageiros e irregularidades nos veículos, levando a PRF a indicar reforço na fiscalização do transporte de passageiros, em atuação conjunta com outros órgãos responsáveis pelas rodovias.

O diretor também atribuiu os números à dificuldade histórica de mudança na cultura do trânsito no país. Ele citou medidas adotadas nos últimos anos, como a demora na ativação de radares e a ampliação do limite de pontos para suspensão da CNH. Segundo ele, essas decisões podem transmitir maior sensação de tolerância aos motoristas. “A PRF não quer multar, quer garantir a segurança e salvar vidas”, afirmou.

O coordenador-geral de Segurança Viária da PRF, Jeferson Almeida, reforçou que os números deste ano ainda exigem uma análise mais aprofundada. Segundo ele, os três últimos carnavais haviam registrado os menores índices de letalidade da década. “Este Carnaval apresenta números que ainda vão precisar ser estudados, porque foram poucos sinistros que trouxeram um número de mortos muito grande. Não significa que a estratégia foi errada, houve casos considerados anomalias”, declarou.

Almeida também apresentou os dados operacionais da ação. Ao todo, 184.316 pessoas foram fiscalizadas, volume superior ao de 2025. Foram realizados 118.321 testes de bafômetro, com 108 prisões. A PRF também autuou mais de 2.400 motoristas por embriaguez ao volante, índice menor que o do ano passado.

Leia também

Entre as principais irregularidades flagradas estão 55.582 autuações por excesso de velocidade, 9.263 por ultrapassagens indevidas e 8.670 por falta do uso do cinto de segurança ou da cadeirinha infantil.

As estatísticas da Operação Carnaval 2026 são preliminares, devido ao prazo para a consolidação das informações nos sistemas da PRF.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

Ouvindo...