Economia estagnada? Frota veicular brasileira tem idade média de 11 anos; entenda

Dado reflete em uma possível perda do poder aquisitivo do consumidor, além de uma economia estagnada; situação revela problemas setoriais, indicou o estudo

Frota veicular brasileira tem idade média de 11 anos

A frota de automóveis de passeio no Brasil revela problemas setoriais e uma economia estagnada, apontou o professor e coordenador do Centro de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da USP, Marcelo Augusto Leal Alves. De acordo com o pesquisador, a frota veicular brasileira tem idade média de 11 anos.

Em entrevista ao jornal da Universidade de São Paulo, o professor explicou a posição do Brasil na produção mundial de automóveis. Para ele, o dado é um indicativo de que a economia brasileira não consegue sustentar crescimento e renovação há mais de uma década.

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“Quando a gente compara com os países da América do Sul que têm alguma produção automotiva, é um pouco preocupante nós termos uma frota envelhecida, com idade média se aproximando a 11 anos. Nós deveríamos estar em uma situação um pouco melhor, mas existe uma estagnação no setor”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, o primeiro auge da produção foi por volta de 2012 e 2013, com cerca de 3,8 milhões de unidades produzidas. “Atualmente, esse número é de 2,8 milhões de veículos, com base no fechamento de 2025, estamos muito abaixo do que foi vendido dez anos atrás”, continuou.

Ainda segundo Marcelo, os números também refletem o cenário do carro popular. “Ele (os carros populares) quase desaparece e a gente passa a ter uma predominância de veículos de maior valor, onde as margens são um pouco maiores e as montadoras conseguem ganhar mais ou manter o seu rendimento vendendo menos veículos”, afirmou.

“O Brasil poderia ser um país que estaria exportando mais e produzindo cerca de 5 milhões de veículos, sendo que uma parte significativa dessa produção poderia ser exportada. Nosso cenário atual é o oposto, por conta da eletrificação, que faz o mercado brasileiro estar com muitos veículos importados. Outro efeito concreto do envelhecimento da frota é uma redução de poder de compra e uma dificuldade maior de crédito; portanto, o poder de compra das pessoas, do consumidor do Brasil, está reduzido,” diz o professor.

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Como solucionar o problema do setor automotivo?

De acordo com Marcelo Alves, o problema do setor é complexo e necessita de ações conjuntas.

“É um cenário muito complicado, a indústria mudou sua forma de produção e fez com que a maioria dos veículos esteja em uma faixa de preço que não é mais do carro popular, porque ele não dá uma margem de lucro significativa, então a indústria optou por mudar sua forma de produção, para os veículos mais caros”, disse.

Ele afirmou que a situação demora para ser revertida. “Toda a indústria está montada para fabricar esses novos veículos. Nós precisamos melhorar as condições econômicas e o poder aquisitivo, entender que podem existir outras opções de transporte e reduzir a necessidade do transporte individual via automóvel. É um processo de longo prazo, que envolve certamente melhora das condições econômicas e aumento do poder de compra das pessoas”, continuou.

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O que fazer com a frota envelhecida?

O professor destacou que os veículos que fazem parte da frota envelhecida podem ser mantidos em circulação e com a manutenção em dia, sem que o dono do veículo seja punido financeiramente.

“É muito importante incentivar a questão da manutenção e torná-la mais fácil, diminuindo os custos de manutenção do veículo. Os automóveis nos dias de hoje são mais robustos, são produtos melhores; no caso dos veículos de dez anos atrás, alguns modelos ainda são bastante adequados. A manutenção está relacionada à segurança e eficiência do veículo, mas ela não pode ser uma punição para o sujeito que já está pressionado economicamente e que não pode ficar sem seu meio de transporte”, finalizou.

Com Jornal da USP

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