China discute regras e pode proibir carros sem botões físicos no painel

Norma em estudo quer reduzir distrações ao volante e pode entrar em vigor a partir de 2027

Painel do Volvo EX30 Cross Country

A China está prestes a promover uma mudança significativa no design dos automóveis ao avançar com uma regulamentação que pode, na prática, proibir modelos que dependam exclusivamente de telas sensíveis ao toque para acionar funções essenciais. A proposta, em discussão no país, determina que comandos básicos de segurança e condução passem a contar obrigatoriamente com botões físicos, interruptores ou controles táteis dedicados, em substituição ou complemento às interfaces digitais.

A medida é conduzida pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e tem como principal objetivo reduzir distrações do motorista e aumentar a segurança viária. Reguladores chineses avaliam que o uso excessivo de telas centrais obriga o condutor a desviar o olhar da estrada por mais tempo do que ocorreria com comandos físicos, que podem ser acionados “no tato”, sem a necessidade de confirmação visual.

Pelas regras em debate, funções consideradas críticas — como setas, pisca-alerta, limpadores de para-brisa, seletor de marchas, acionamento do sistema de emergência, controle dos vidros e outras operações básicas — não poderão depender apenas de menus em telas sensíveis ao toque. Esses comandos deverão ter localização fixa, permitir operação sem que o motorista precise olhar diretamente para eles e atender a requisitos mínimos de tamanho e ergonomia, garantindo fácil identificação ao toque.

A regulamentação também estabelece parâmetros técnicos para esses controles, como dimensões mínimas da área de acionamento, justamente para evitar superfícies pequenas demais ou comandos “escondidos” em interfaces digitais complexas. A intenção é coibir soluções que priorizam o design minimalista em detrimento da usabilidade e da segurança.

Embora o texto ainda esteja em fase de consulta e ajustes, a expectativa é que as novas exigências passem a valer para veículos novos a partir de meados de 2027, após aprovação final. Caso confirmada, a norma afetará diretamente modelos que adotaram a filosofia de “tudo na tela”, tendência que se espalhou principalmente entre carros elétricos e veículos mais recentes, inclusive de marcas globais.

O impacto da decisão pode ir além das fronteiras chinesas. Como a China é o maior mercado automotivo do mundo, mudanças regulatórias locais costumam influenciar projetos globais de fabricantes internacionais. Assim, a exigência por botões físicos pode levar montadoras a rever o design de interiores em mercados como Europa, Estados Unidos e outros países, mesmo onde a regra não seja inicialmente obrigatória.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

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