Os motores com comando de válvulas acionado por correia banhada a óleo não são alvo de polêmicas apenas no Brasil. Na Europa, a Stellantis decidiu encerrar definitivamente tudo o que remeta à reputação negativa dos propulsores PureTech, desenvolvidos pela PSA Peugeot Citroën antes da fusão com a Fiat Chrysler Automóveis (FCA). A determinação partiu do CEO Antonio Filosa, como parte de uma estratégia para reconquistar a confiança dos consumidores europeus.
Para mitigar os impactos causados pelos defeitos apresentados nos motores fabricados na França, a Stellantis iniciou uma série de medidas. A primeira delas foi abandonar a denominação PureTech, substituindo o nome comercial por Turbo. Além disso, a empresa ofereceu compensações financeiras a clientes afetados por problemas relacionados ao uso do AdBlue — solução redutora de poluentes conhecida no Brasil como Arla 32 — em motores a diesel.
Outra decisão estratégica foi apostar na família de motores Firefly produzida na Itália. Amplamente utilizados na América do Sul, onde também são fabricados em Betim-MG, esses propulsores haviam sido preteridos no passado pelo então CEO Carlos Tavares, que priorizou os motores PureTech franceses. Atualmente, os Firefly são oferecidos na Europa apenas em modelos italianos, como o Alfa Romeo Tonale e os Fiat Pandina e 500 híbrido, mas deverão ser estendidos a outros veículos do grupo.
Alfa Romeo Tonale é um dos carros da Stellantis equipados com motor da família Firefly na Europa
A ampliação do uso dos motores Firefly se deve, principalmente, à maior confiabilidade do comando de válvulas acionado por corrente metálica, em contraste com as correias banhadas a óleo que marcaram negativamente a família PureTech. A própria Stellantis já confirmou que esses propulsores passarão por atualizações para atender às exigências da norma Euro 7, incluindo a adoção inicial da tecnologia híbrida leve de 48 Volts (MHEV).
O plano prevê ainda um investimento significativo para manter os motores Firefly em produção além de 2030, juntamente com a introdução de uma transmissão automatizada eletrificada de dupla embreagem. Conhecidos também pela sigla GSE, esses motores são vendidos na Europa nas versões 1.0 de três cilindros com 70 cv e 1.5 turbo de quatro cilindros, com potências de 130 cv ou 160 cv, dependendo do modelo.
Resta saber se, após a adaptação aos padrões Euro 7, a Stellantis seguirá evoluindo os motores Firefly com tecnologias híbrida plena e híbrida plug-in, capazes de competir em eficiência energética com os trens de força mais avançados oferecidos atualmente pelos concorrentes no mercado europeu.